E assim eu com eu fomos até o
bar tomar uma cerveja. Aí foi quando o tempo fechou. Escureceu como breu.
Trovoadas e relâmpagos infindáveis surgiu no céu escuro. Pensávamos que iria
chover uma torrente de água. Mas como tudo aconteceu depressa, tudo depressa
parou. A claridade voltou. E foi quando olhei para eu que estava do outro lado
da mesa, eu tinha desaparecido, quer dizer sumi, assim como o copo de cerveja.
Estranhei, o que teria acontecido comigo, foi o que perguntei para mim.
Perguntei para as pessoas que estavam no bar quando entramos e, para minha surpresa,
todos disseram que entrei sozinho. Fui até o dono que estava atrás do balcão e
me disse a mesma coisa: entrei no bar sozinho. Mas foi pedido dois copos, falei
para ele. Sim, foi pedido dois copos, acontece que você pegou um só, o outro
está aqui, e mostrou o copo para mim. Meu Deus, o que estará acontecendo
comigo, perguntei mentalmente. Saia do bar desorientado. Primeiro um cara
dizendo ser eu toma meu lugar na minha casa. Meu sobrinho, minha prima, até
minha irmã não me reconhecem, encontro comigo mesmo, vamos até o bar tomar uma
cerveja e, no meio de relâmpagos, trovões eu sumo de mim. Será que eu voltei
para o meu nível? E eu fiquei nesse nível? Como pode ser? Como passava em
frente a casa da minha irmã toquei a campainha. Ela apareceu na sacada.
- Oi, mano, espera vou abrir o portão.
Oi, mano ela disse. Quer dizer que me reconheceu. E por que antes não tinha me
reconhecido? Entrei, cumprimentei com dois beijos no rosto.
- O que foi?
- Porque?
- Está branco, viu algum fantasma?
- Mais ou menos isso, disse a ela.
Expliquei para ela desde o começo até o desaparecimento de mim no bar.
- Que besteira, mano. Você está louco, estressado, é isso, vai para casa, tome
um banho e descanse.
É. Louco, estressado, cansado, não acredita, e quem vai acreditar, não é?
Estava abrindo o portão de casa quando minha prima saia da dela.
- Oi, primo, tudo bem?
- Agora me conhece, né?
- O que? Não entendi.
- Deixa pra lá, respondi.
- Espere, o que aconteceu?
- Não aconteceu nada, estou apenas cansado.
- Está bem, bom descanso então.
- Obrigado.
Quando abria a porta de casa ouço meu sobrinho dizendo:
- Oi, tiozão, o que aconteceu?
Também você está me conhecendo, né, pensei.
- Nada...
- Como nada. A mãe disse que o senhor...
- Não foi nada, não esquenta.
- Ok. Mas se precisar de mim, é só falar.
- Obrigado.
Entrei, fechei a porta, acendi a luz da sala, liguei o som, e fui ao quarto
tirar a roupa para tomar um banho. Assim que pressionei o interruptor e a luz
expulsou as sombras meu coração se acelerou e quase desmoronei de susto.
- Olá, você demorou?
Eu estava deitado na minha cama.
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