Eu estava deitado na
minha cama.
O que fazia eu
deitado na minha cama? E como cheguei aqui se estava sem a chave... espere!
Esse negócio está mal explicado. Sentei na beira da cama. Eu encostou-se mais
perto da parede para me dar lugar. Com os cotovelos apoiados na minha perna e o
rosto entre as duas mãos falei devagar.
- Esse negócio está
esquisito de errado.
- O que está errado?
Perguntou eu.
- Siga meu
raciocínio.
- Diga.
- Quando o portão
bateu e a chave caiu e você veio e a pegou, eu fiquei preso pelo lado de fora
do portão. Certo?
- Certo.
- Então, quando fui
falar com minha prima e minha irmã, você entrou em casa.
- Certo.
- E quando estava
voltando trombei com você e fomos tomar cerveja.
- Certo.
- E no bar depois da
tempestade, quer dizer, ameaço de tempestade, você sumiu, e, como não sei.
- Certo.
- E chego aqui abro
o portão e a porta da casa, e eu pergunto: com que chave? Se você a tinha pego
quando o portão bateu?
- Ah! É isso que
está achando esquisito de errado?
- Sim. A chave ficou
com você e não comigo.
- Mas você esquece de
uma coisa.
- O que?
- Se eu ou você for
de outro nível, esqueceu que tudo o que acontece num acontece em outro?
- Não esqueci, isso
quer dizer, se entendi as explicações que venho estudando.
- Então, se eu tinha
a chave você também a tinha, era só enfiar a mão no bolso, coisa que você não
fez naquele momento, foi fazer só agora porque tinha certeza que eu não estaria
aqui.
- Mas, se nós dois tínhamos a chave, então porque
você saiu de casa e veio pegar a chave quando ela caiu do portão.
- Não sei te explicar isso.
- Esquisito não acha?
- Acho.
- É. Esquisitice mesmo.
- O que?
- Esquisitice mesmo.
- Ah Tá.
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