sábado, 22 de fevereiro de 2020

No que estou pensando 11


- Se você acha que não podemos viver dessa maneira...
- E como seria vivermos dessa maneira?
- Bem... não sei... eu invisível... só você me vendo... sei lá.
- É. Boa resposta, sei lá.
- E o que gostaria que eu falasse?
- Talvez, uma solução disso tudo, que você caiu aqui para me ajudar, para abrir meus os olhos, para vivenciar algo desconhecido...
- Talvez...
- Talvez o que?
- Olha vamos concordar com uma coisa.
- Que coisa.
- Primeiro: não tenho culpa nenhuma de estarmos passando por isso.
- Eu também não.
- E segundo: pare de berrar como se a culpa fosse minha ou a sua. Vamos aceitar numa boa, pensar e quem sabe acharemos uma solução.
- Está bem. Desculpe.
Ficamos um bom tempo em silêncio. Olhando a parede do quarto me indagava no por que de tudo isso e no que daria tudo isso e, ao virar a cabeça para o lado dele, vejo que eu não estou mais no quarto. Será que eu voltei para o meu lugar e vou poder continuar minha vida de sempre? Caralho, o que está acontecendo? Estou enlouquecendo? Bom nada de entrar em pânico. Vou dormir que amanhã será outro dia. E foi o que aconteceu, dormi feito pedra, acho que foi o meu melhor sono da minha vida, no entanto no dia seguinte...
Acordo comigo abraçado ao meu corpo. Percebo que estou dormindo num sono gostoso e, para não me acordar, devagar, tiro meu braço do meu corpo e saio da cama. Em pé olho para mim e me vejo descoberto e nu. Fico um tempo me apreciando e me sobressalto ao me ver olhando para mim.
- O que foi? Nunca se viu nu?
- Sim... Não... Quer dizer já, mas através do espelho e não dessa maneira.
- Que maneira.
- Ah! Sei lá. Eu aqui e eu aí, você entende o que quero dizer.
- Sim, acho que entendo. Volta para a cama, ainda é cedo. Está frio.

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