- Ah! Sei lá. Eu
aqui e eu aí, você entende o que quero dizer.
- Sim, acho que
entendo. Volta para a cama, ainda é cedo. Está frio.
Volto para a cama e
me enrolo no edredom. Apesar do frio caio num sono que não vejo quando eu
deitei ao meu lado. Se é que deitei ao meu lado, pois no dia seguinte quando
acordei eu não estava na cama ao meu lado. Por instantes pensei na tremenda
besteira que era tudo aquilo, já estava até achando que eu estivesse ido
embora, quando a porta abre devagar e me vejo entrando com uma bandeja de café
que trazia para mim. Pensei: caralho, nunca fui e nunca curtir essa droga de
romantismo, porque agora tenho que dar uma de romântico. Não falei, apenas
guardei o pensamento para mim.
- O que é isso?
- Achei que deveria
gostar?
- Você deve saber
que não sou dessas frescuras.
- Romantismo.
- Sim, e além do
mais nem somos um casal.
- É, tem razão, não
somos, mas achei que com esse gesto a coisa poderia ficar..., pensei em
quebrar..., diminuir essa estranheza de eu estar comigo mesmo, entende.
- Essa estranheza de
eu estar com eu.
- Esquisito, eu sei,
Esquisito ou não
tomei café, quer dizer tomamos o café. Depois entrei no banheiro enquanto eu
levei a bandeja e ao chegar na cozinha, notei que estava totalmente limpa, o
que me deixou ressabiado, pois fazia dias que não limpava.
- Tomou banho,
pergunto eu.
- Tomei.
- Não sei não gosto
de tomar de manhã.
- Somos eu e eu, um
só e ao mesmo tempo somos diferentes.
- Já sei.
- O que.
- Eu sou a parte que
gosta de determinada coisa, e eu sou a parte de que não gosta de determinada
coisa. Entende?
- Acho que
compreendi, melhor explicando: eu sou a parte que gosta de certas coisas e você
que sou eu, sou a parte que não gosta de certas coisas, melhorou?
- Acho que sim.
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