- Não sei.
- Legal eu José
Eu Cardoso fiquei
pasmado, isto é, não podia imaginar o que dali poderia acontecer, tudo ou nada.
Resolvi sair. Peguei as chaves do carro.
- Onde você vai?
Perguntou eu José.
- Vou dar umas
voltas.
- Posso ir com você?
- Olha, eu José,
acho melhor não.
- Porque?
- Bem, tudo isso
está estranho demais, não acha?
- Acho eu José. Já
falamos sobre isso.
- Então, deixe
colocar os pensamentos em ordem, tá.
- Está bem. No
entanto tem uma coisa que você não atinou.
- O que?
- É que onde um vai
o outro vai junto independente da nossa vontade.
- Caralho.
- Vamos fazer um
teste.
- Que teste?
- Você me prende no
quarto... aí posso fugir pela janela... no banheiro que não tem como eu sair.
- E depois?
- Você vai para onde
quiser ir e vamos ver se apareço onde você está.
- Feito.
Prendi eu José no
banheiro social e sai. Na garagem peguei o carro e dirigi um bom tempo sem um
destino certo. Passava em frente a uma casa noturna e resolvi entrar. Até o
momento nada de eu José. Suspirei aliviado. Estava no balcão tomando uma
cerveja quando o vejo no outro lado do balcão. Fecho a cara num gesto de
desgosto. Nesse momento ao seu lado vejo uma moça que sorri e balança a cabeça
de um lado para o outro. Fico sem jeito. Ela sorri e aproxima-se.
- Não está gostando
do ambiente ou de mim.
- Não... sim... quer
dizer nenhum e outro.
- Então porque essa
cara azeda.
- Nada é que...
- Não fala nada do
que está acontecendo, disse eu José ao meu lado.
Olhei para ele.
- Cuidado que ela
não está me vendo e nem me ouvindo.
Droga? É mesmo!
- É que não estou
mais acostumado com isso.
Disse falando para
ela.
- Vida noturna?
- Sim. Sou mais
caseiro.
- E o que fez você
sair de casa?
- Precisava pôr em
ordem minha mente que está uma bagunça.
- Olha onde você
está pisando, eu Cardoso.
Mecanicamente fechei
o semblante.
- O que foi?
- Nada.
- Como nada. Então
porque essa testa enrugada?
Caramba, ela
percebeu.
- Olha posso lhe
dizer que não é nada com você.
- Se não é nada
comigo, porque não me diz a verdade.
- Que verdade?
- Ora, seja sincero.
- Desculpe, não nos
conhecemos...
- Bom, você pode não
me conhecer, mas conheço você.
- Me conhece?
- Sim.
- E como me conhece?
- Sim, você é eu
Cardoso.
- O que?
- E ele ali é eu
José.
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