quarta-feira, 19 de fevereiro de 2020

No que estou pensando 14


- Não sei.
- Legal eu José
Eu Cardoso fiquei pasmado, isto é, não podia imaginar o que dali poderia acontecer, tudo ou nada. Resolvi sair. Peguei as chaves do carro.
- Onde você vai?
Perguntou eu José.
- Vou dar umas voltas.
- Posso ir com você?
- Olha, eu José, acho melhor não.
- Porque?
- Bem, tudo isso está estranho demais, não acha?
- Acho eu José. Já falamos sobre isso.
- Então, deixe colocar os pensamentos em ordem, tá.
- Está bem. No entanto tem uma coisa que você não atinou.
- O que?
- É que onde um vai o outro vai junto independente da nossa vontade.
- Caralho.
- Vamos fazer um teste.
- Que teste?
- Você me prende no quarto... aí posso fugir pela janela... no banheiro que não tem como eu sair.
- E depois?
- Você vai para onde quiser ir e vamos ver se apareço onde você está.
- Feito.
Prendi eu José no banheiro social e sai. Na garagem peguei o carro e dirigi um bom tempo sem um destino certo. Passava em frente a uma casa noturna e resolvi entrar. Até o momento nada de eu José. Suspirei aliviado. Estava no balcão tomando uma cerveja quando o vejo no outro lado do balcão. Fecho a cara num gesto de desgosto. Nesse momento ao seu lado vejo uma moça que sorri e balança a cabeça de um lado para o outro. Fico sem jeito. Ela sorri e aproxima-se.
- Não está gostando do ambiente ou de mim.
- Não... sim... quer dizer nenhum e outro.
- Então porque essa cara azeda.
- Nada é que...
- Não fala nada do que está acontecendo, disse eu José ao meu lado.
Olhei para ele.
- Cuidado que ela não está me vendo e nem me ouvindo.
Droga? É mesmo!
- É que não estou mais acostumado com isso.
Disse falando para ela.
- Vida noturna?
- Sim. Sou mais caseiro.
- E o que fez você sair de casa?
- Precisava pôr em ordem minha mente que está uma bagunça.
- Olha onde você está pisando, eu Cardoso.
Mecanicamente fechei o semblante.
- O que foi?
- Nada.
- Como nada. Então porque essa testa enrugada?
Caramba, ela percebeu.
- Olha posso lhe dizer que não é nada com você.
- Se não é nada comigo, porque não me diz a verdade.
- Que verdade?
- Ora, seja sincero.
- Desculpe, não nos conhecemos...
- Bom, você pode não me conhecer, mas conheço você.
- Me conhece?
- Sim.
- E como me conhece?
- Sim, você é eu Cardoso.
- O que?
- E ele ali é eu José.
  


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