Não sei o que estou fazendo aqui. Não sei. Talvez sei, só não admito e se não admito é por ter medo de consequência. E qual seria a consequência? Ser ignorado, desprezado, perder o que amo e não ser amado... E muitas outras coisas. Muitas outras... no entanto já perdi tudo ao entrar no hospital... ao fazer a operação... ao ser submetido a radioterapia... vinte e oito seções...
Quando foi a primeira? Não lembro. Tenho memória curta. Faço uma coisa e dois segundos depois esqueço. Portanto não me pergunte, não me faça perguntas. E muito menos qual foi o meu sentimento quando soube que precisava fazer a operação. Não sei qual foi. Sei que apenas ouvi todas as explicações médicas e nada me alterou, tanto sentimental como espiritual, nada... sai do médico como se estivéssemos conversado banalidades. Não me preocupei com nada. Nem se ficaria curado ou não, se minha vida mudaria daquele momento em diante. Nada. Nada senti. E agora aqui estou tomando injeção de três em três mês e mesmo assim nada me afeta. Acho que nada nesta vida me afetou. Não tenho sentimento. Nem mesmo os flashes que ultimamente aparecem do que pode ou poderia ser a minha vida, ou que foi minha vida não me afeta. O que lembro...Como agora... Meio nublado vejo uma figura humana masculina a minha frente. Está com a braguilha aberta e com o membro rijo para fora. Com a mão na minha cabeça me força a joelhar e a chupar aquela coisa grande que quase não cabe na minha boca. O gozado, é que não resisto, vou numa boa, tinha curiosidade de experimentar desde o momento em que vi o membro para fora das calças. Não sei porque fiz o que tinha feito. Não sei o que pensava e nem o que me ocasionou depois de tudo ter acabado. Nem como reagi ao final de tudo. Nem o que fiz e nem o que a figura humana fez. Não dissemos nada. Fiz e acabou. Penso que tenha gostado, pois me vejo chegando perto dessa mesma figura deitada no sofá e eu abrindo a braguilha de sua calça. Não sei quem é, não vejo e nem olho para ver quem é, acho que me foquei no ato e no gosto de sentir o membro em minha boca. Depois disso não o vi mais, isto é, o vi saindo acompanhado de dois policiais, não sei o que poderia ter acontecido. Um segundo depois, já tinha esquecido de ter visto essa cena. Sei que fui para a sala liguei o som e comecei a desenhar. Nunca mais pensei nesse ocorrido.
Nenhum comentário:
Postar um comentário