sábado, 8 de fevereiro de 2020

Rádio 10

Nisso a porta foi aberta. Fechei o notebook. Ele parou ao meu lado sem dizer uma palavra. Também não disse nada e nem olhei para ele. Com lentidão se jogou na cama. Talvez estivesse pensando que eu fosse lhe dizer alguma coisa, ou ainda, ache que eu precise dizer algo a ele, sendo que ele é que deveria se pronunciar sobre o que está acontecendo. Enfiei o notebook embaixo do braço e sai do quarto fechando a porta em seguida. O dia ou era noite, não sei, a mente engana quando passamos por momentos que deveriam ser esquecidas, portanto, não importa se era noite ou dia, o caso era que a temperatura tinha caído, e estava apenas de bermuda sem camisa tomando um chocolate quente encostado a janela quando ele entrou na sala.
- Vou sair, me disse.
- Tudo bem, respondi sem me virar.
Ouvi a porta batendo. O silencio gostoso dominava aqueles instantes, não queria sair da posição em que estava, mas precisava voltar ao trabalho, o prazo vencia e ainda havia metade do prometido escrito. Assim sendo, sentei em frente ao notebook e qual foi a minha surpresa ao ler o que ele escrevera.
- Você é um puto, melhor dizendo, somos um puto de merda, infelizmente sei que não gosta mais de mim.
Ri. Confesso, numa coisa estava certo, éramos um puto, empurrávamos a situação com a barriga sem tomar uma solução, tanto ele como eu, dois putos de merda orgulhosos, disse a mim mesmo. Enfurnei-me no trabalho esquecendo de mim, dele, dos problemas, dos nossos problemas e parei somente ao raiar do dia. Conclui o texto, coloquei um ponto final, e decide não mais me preocupar. Me joguei na cama. Ele não tinha voltado. Fechei os olhos dizendo a mim mesmo:
- Amanhã ele aparece para pegar as coisas dele.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Vazia.

                                            Vazia. A minha mente está vazia.Vazia.Vazia.Tanta coisa as quais posso escrever e nada me vem à ...