- Bom dia, seu Osvaldo.
Disse a cardiologista assim que entrei no
consultório.
- Bom dia, Doutora.
- Tudo bem, seu Osvaldo.
- Na aparência tudo bem, mas por dentro não
sei, doutora.
- Vamos ver. Primeiramente vamos ver sua
pressão. Sente.
- Obrigado.
Pegou o aparelho e prendeu no meu braço.
- Feche a mão.
Fiz o que pediu.
- Pode abrir a mão.
Por momentos ficou olhando o pequeno mostrador
do aparelho.
- Seu Osvaldo, o senhor está com a pressão
alta.
- É doutora.
- É.
- Engraçado os outros médicos não dizem isso.
- Eles não são cardiologistas, eu sou.
- Entendo.
- Vou receitar esses remédios para o senhor.
Disse escrevendo a receita. Depois olhou o
exame e disse.
- O senhor não come carne, seu Osvaldo?
- Como. Porque?
- É que o senhor está com falta de vitamina
B12. – Acho que era essa vitamina.
- Eu como doutora, mas não todos os dias.
- É precisa comer para não ficar sem a vitamina
B12.
- E os vegetarianos, não comem carne.
- Tomam remédio para complementar a vitamina
B12.
- É.
- Vou receitar mais dois remédios...
- Quantos remédios, doutora.
- Cinco.
- Cinco!
- É. Um é de graça...
- Doutora não quero ficar dependente de
remédio. Estou me sentindo bem.
- Mas seu Osvaldo, é para o seu bem. Prevenção
seu Osvaldo.
Prevenção! Acho que a senhora tem é
participação com os laboratórios, pensei saindo do consultório jogando a
receita no lixo, e além do mais teria que tomar cinco por dia, quando voltei
lá, um mês depois, falei que estava tomando.
Toda essa história introdutória é para fala
sobre carne. Na verdade, gosto de carne, não sou fanático, passo bem sem ela,
mas que é gostoso um bife acebolado, isso é. E um fígado acebolado e arroz e um
copo de vinho, é uma delícia. Como carne porque gosto, me alimenta, me
sustenta, não sou de esbanjar. Nunca cheguei a fundo para saber de onde vem o
que eu como e nem como é um abatedouro, porque sei se eu fizer isso, não
comerei nada. Como disse meu tio, que uns tempos tinha uma granja e vendia as
galináceas para os frigoríficos, se vocês forem ver como é feito esses tabletes
de caldo de galinha, vocês não comeriam mais, é tudo jogado inteiro, pena,
osso, entranhas para triturar.
Acho que se tiver consciência do que se faz,
creio que a coisa não será assim tão agravante. Gosto também, de churrasco, mas
é aquela coisa, nada de esbanjamento.
Também, gosto de uma caipirinha, uma cerveja,
um vinho, mas não é todos os dias, apenas como aperitivos, como se diz no
popular: para abrir o apetite. Sei que estou ingerindo negatividade, sei disso,
e sei que um dia posso parar de ingerir negatividade.
Mas até lá vou aproveitar o que eu gosto.
Bem, é isso.
Grato.
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