terça-feira, 10 de março de 2020

Sou o que sou?


Estava onde deveria estar? Ou era apenas uma singularidade inofensiva onde estava ou onde deveria estar. Não sabia distinguir uma coisa da outra. Chovia. O mundo era molhado pela chuva, tudo e todas se molhavam sem ter uma  chance de se esconderem, uns prevenidos abriam seus guardas chuvas que protegiam apenas a cabeça e parte do corpo, no entanto as pernas e sapatos ficavam encharcados, outros, poucos cuidadosos, chegavam a ter uma parte das costas molhadas. E os desprevenidos, com que se protegiam? Corriam a procuram de brigo, alguma porta de loja, ponto de ônibus ou colocavam algo que achassem fosse protegê-los caderno, papel, sacos plásticos e uns infindáveis de coisas inúteis que de nada valiam. Ele como sempre, não se importava se molhasse ou não, pois não estava ali, estava em outro lugar, por isso não corria e nem se protegia, deixava-se molhar. Também não diminuía os passos, continuava como vinha. Olhavam curiosamente sua figura magra, alta, cabelos pretos, longos, braços pendentes ao lado do corpo de uma maneira entregue ao conforto de serem membros superiores, pernas finas que terminavam nos pés decididos de suas passadas. Assim, ele era e, assim deveria ser. Achava-se certo, disse a si mesmo ao olhar-se no espelho.

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