— Era uma vez um patinho.
— O patinho feio outra vez, vô?
— Não Eduarda, não é o patinho feio. É o patinho cri cri.
— Patinho cri cri, vô?
— É, Manoela.
— Por que patinho cri cri?
— Calma que vocês saberão. Posso contar?
— Pode — disseram a duas.
Era um patinho diferente de seus irmãos. Enquanto seus
irmãos faziam qua qua, ele fazia cri cri. Dona Pata estava envergonhada, não
sabia o que fazer. Seus irmãos já não o deixavam brincar, expulsavam o coitado
de todas as brincadeiras. Dona Pata, a mãe, escondia o pobrezinho dos outros
bichos para que não caçoassem dele. Pensava até em expulsar o patinho cri cri
de seu convívio. Até que um dia, quando estavam caminhando até a lagoa para
nadar, numa corrida para não ficar atrás, o patinho cri cri tropeçou numa pedra
e bateu a cabeça no chão. Com o choque pulou do seu bico um grilo que, todo
eufórico, saiu pulando e, cricrizando, sumiu no matagal. Dona Pata voltou e
pegou na sua asinha, pois se ele tivesse orelha seria orelha que ela pegaria, e
toda brava disse para o patinho cri cri:
— Quantas vezes já falei para vocês não comerem
porcariada? Tem que comer minhoca, larva, formiga, e outras coisas boas, e não
coisas que não conseguem comer. Olha aí, os humanos, comeram porcariada agora
estão doentes, presos em suas casas. Que isso sirva de lição para todos. Vamos
nadar.
E toda serelepe tomou o caminho da lagoa toda feliz. Mais
feliz ficou o patinho cri cri que agora não fazia mais cri cri, e sim qua qua.
— Gostaram?
— Gostamos, vô.
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