sábado, 11 de abril de 2020

O patinho cri cri.


            — Era uma vez um patinho.
            — O patinho feio outra vez, vô?
            — Não Eduarda, não é o patinho feio. É o patinho cri cri.
            — Patinho cri cri, vô?
            — É, Manoela.
            — Por que patinho cri cri?
            — Calma que vocês saberão. Posso contar?
            — Pode — disseram a duas.
            Era um patinho diferente de seus irmãos. Enquanto seus irmãos faziam qua qua, ele fazia cri cri. Dona Pata estava envergonhada, não sabia o que fazer. Seus irmãos já não o deixavam brincar, expulsavam o coitado de todas as brincadeiras. Dona Pata, a mãe, escondia o pobrezinho dos outros bichos para que não caçoassem dele. Pensava até em expulsar o patinho cri cri de seu convívio. Até que um dia, quando estavam caminhando até a lagoa para nadar, numa corrida para não ficar atrás, o patinho cri cri tropeçou numa pedra e bateu a cabeça no chão. Com o choque pulou do seu bico um grilo que, todo eufórico, saiu pulando e, cricrizando, sumiu no matagal. Dona Pata voltou e pegou na sua asinha, pois se ele tivesse orelha seria orelha que ela pegaria, e toda brava disse para o patinho cri cri:
            — Quantas vezes já falei para vocês não comerem porcariada? Tem que comer minhoca, larva, formiga, e outras coisas boas, e não coisas que não conseguem comer. Olha aí, os humanos, comeram porcariada agora estão doentes, presos em suas casas. Que isso sirva de lição para todos. Vamos nadar.
            E toda serelepe tomou o caminho da lagoa toda feliz. Mais feliz ficou o patinho cri cri que agora não fazia mais cri cri, e sim qua qua.
            — Gostaram?
            — Gostamos, vô.

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