segunda-feira, 29 de junho de 2020

Contos surrealistas 137


Eu hein!

Everaldo era um senhor de seus cinquenta ou sessenta anos que, apesar de casado, pai de duas filhas, tinha trejeitos afeminados que deixavam dúvidas na cabeça dos maldosos. Gerente do departamento vivia de papo com as meninas trocando receitas, contando causos e, sempre que chegava do almoço, distribuía bala para o pessoal.
Nessa época eu trabalhava no arquivo que, apesar de toda a tecnologia, ainda tinha papel que não acabava mais. Teodoro era um rapaz baixo, com o corpo meio sarado, com o olhar profundo e irritado, por qualquer coisa se irritava, homófico, tinha raiva de gay. Vindo da expedição almejando cargo e salário melhor, eu o ajudava no arquivo.
Nossa mesa ficava logo na entrada da seção, portanto, quando Everaldo vinha do almoço éramos o primeiro a quem ele dava a bala. Era infalível, raramente essa rotina mudava. E um dia falei:
- Reparou uma coisa, Teo.
- O que?
- Nessas balas que todos os dias o Everaldo traz pra gente.
- O que têm elas?
- Viu onde elas ficam?
- Sim. No bolso da calça.
- Então...
- Então o que?
- Ficam batendo na coxa quase perto do saco dele, já imaginou?
A partir desse dia Teodoro não pegou mais bala nenhuma de Everaldo.
Eu hein!

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