domingo, 7 de junho de 2020

Contos surrealistas 147


Pensando, apenas.


Estava aqui matutando. Poderia fazer no Face doido o que fazia ao chegar ao serviço. Entrava às oito horas, saia de casa lá pelas seis horas e qualquer coisa e, chegava à Paulista, as sete e qualquer coisa, subia para o escritório, ligava o computador e deixava a mente correr os dedos no teclado preto. A princípio escrevia mensagens de otimismo que, via e-mail, mandava para o pessoal. Começava sempre com um Bom Dia, era um bom dia isso, bom dia aquilo, até que aos poucos passei a escrever o que acontecia ao meu redor. Como o meu serviço era de suma importância, isto é, não tinha que apresentar ao chefe e muito menos ao subchefe, que mais tarde passou a ser chamado de gestor, quer dizer, não tinha prazo, não precisava todo o mês apresentar relatórios, fechamento disto ou daquilo. Eu era o arquivista, passava o dia todo colocando em ordem papéis e mais papéis em pasta e as pastas em caixas que eram mandadas para o arquivo morto em Paulínia. Portanto não precisava correr com o serviço, entende. Por isso ou por causa disso, às vezes os meus bons dias que começaram com pequenas mensagens, passaram a contos, crônicas, ou relatos do que acontecia no próprio escritório. Dessa maneira consegui escrever A Dama do Metrô e a Cadeira de Espaldar Alto. Então, poderia fazer a mesma coisa aqui, não é?
Mas acontece o seguinte. Quando trabalhava eu tinha um horário a cumprir, bem ou mal, eu cumpria e, aqui em casa, aposentado não tenho um horário, isto é, não acordo todos os dias no mesmo horário, um dia acordo as sete, outro dia as oitos e, outros ainda, ao meio dia ou até a uma da tarde. Não tenho uma rotina que me obrigue a escrever, preciso criar essa rotina, me forçar a isso, acordar todos os dias a sete horas, sentar no computador, quer dizer, em frente ao computador e colocar os dedos a trabalharem imprimindo esses caracteres que a mente transmite a eles. Além do que o caçar as palavras no marasmo da memória estão cada vez mais difíceis, o meu dicionário perdeu folhas, está magrinho o coitado, com a idade o vocabulário tornou-se  repetitivo sem contar com o sono que a todo o momento me interrompe...zzzzzzzzzzzzzz... Desculpem, vou dormir... zzz

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