Pensando, apenas.
Estava aqui matutando. Poderia fazer no
Face doido o que fazia ao chegar ao serviço. Entrava às oito horas, saia de
casa lá pelas seis horas e qualquer coisa e, chegava à Paulista, as sete e
qualquer coisa, subia para o escritório, ligava o computador e deixava a mente
correr os dedos no teclado preto. A princípio escrevia mensagens de otimismo
que, via e-mail, mandava para o pessoal. Começava sempre com um Bom Dia, era um
bom dia isso, bom dia aquilo, até que aos poucos passei a escrever o que
acontecia ao meu redor. Como o meu serviço era de suma importância, isto é, não
tinha que apresentar ao chefe e muito menos ao subchefe, que mais tarde passou
a ser chamado de gestor, quer dizer, não tinha prazo, não precisava todo o mês
apresentar relatórios, fechamento disto ou daquilo. Eu era o arquivista,
passava o dia todo colocando em ordem papéis e mais papéis em pasta e as pastas
em caixas que eram mandadas para o arquivo morto em Paulínia. Portanto não
precisava correr com o serviço, entende. Por isso ou por causa disso, às vezes
os meus bons dias que começaram com pequenas mensagens, passaram a contos,
crônicas, ou relatos do que acontecia no próprio escritório. Dessa maneira
consegui escrever A Dama do Metrô e a Cadeira de Espaldar Alto. Então, poderia
fazer a mesma coisa aqui, não é?
Mas acontece o seguinte. Quando
trabalhava eu tinha um horário a cumprir, bem ou mal, eu cumpria e, aqui em
casa, aposentado não tenho um horário, isto é, não acordo todos os dias no
mesmo horário, um dia acordo as sete, outro dia as oitos e, outros ainda, ao
meio dia ou até a uma da tarde. Não tenho uma rotina que me obrigue a escrever,
preciso criar essa rotina, me forçar a isso, acordar todos os dias a sete
horas, sentar no computador, quer dizer, em frente ao computador e colocar os
dedos a trabalharem imprimindo esses caracteres que a mente transmite a eles. Além
do que o caçar as palavras no marasmo da memória estão cada vez mais difíceis,
o meu dicionário perdeu folhas, está magrinho o coitado, com a idade o
vocabulário tornou-se repetitivo sem
contar com o sono que a todo o momento me interrompe...zzzzzzzzzzzzzz...
Desculpem, vou dormir... zzz
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