Intimação.
Fui intimado. Chegou hoje de
manhã. Eram mais ou menos umas oito horas e quarenta minutos. Bateram no
portão.
— Pois não? — perguntei
apreensivo.
— Por favor, seu nome.
— Osvaldo, por quê?
— O senhor está intimado a
morrer.
— O que?
— É isso mesmo, a morrer.
— Mas por quê?
— O senhor tem que parar de ouvir
música pelo menos na parte da manhã.
— Aí você está querendo que eu
morra mesmo.
— Infelizmente é isso, trabalho
de noite e as vezes de manhã e preciso dormir. Até que o som não é alto, mas
como a parede da sua sala faz divisa com o meu quarto...
— Entendo. Pode deixar. Ouvirei
depois do meio dia.
— Obrigada.
Entrei em casa pensando:
— Bom, então não poderei ouvir
música na parte da manhã, portanto, aproveito para ler, escrever e... morrer,
não terei meu alimento na parte da manhã. Que fazer, né.
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