Eu hein!
Dia quatro abandonei Kerouac na Estação do Metrô
Penha. Não tive dó, deixei lá. Gostaria de ver a cara de quem o encontrou o que
teria pensado. Deixei-o entre os bancos da plataforma, nem olhei para trás,
assim que o trem encostou entrei rápido. Não tive escolha. Não é a primeira vez
que faço isso.
Outro dia deixei Clarice, só que no banco do ônibus.
Fui o último a sair e deixei-a numa boa. Outro também que deixei no banco do
ônibus foi Palahniuk. É preferível assim a deixar que os cupins o devorem.
Houve dois ataques, um me levou Echer, Frazetta, Picasso, Magrite, Érico,
Pessoa, Viginia, Lobato e outros que não lembro.
No segundo ataque foram Hugo, Ligya, Bandeira,
Drumonnd, Oswaldo, Mário, Quintana, Eça e outros. Então decidi abandoná-los em
lugares públicos assim alguém poderá usufruir de uma boa leitura é o que
espero.
Para mim livro não tem que ficar em estantes mofando
na poeira das traças e nem na fome dos cupins. Tem que ser passado adiante, rodar
o mundo, ir de mão em mão para que seja lido e apreciado.
Não é não?
Eu hein!
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