quarta-feira, 1 de julho de 2020

Contos surrealistas 136


Eu hein!

Dia quatro abandonei Kerouac na Estação do Metrô Penha. Não tive dó, deixei lá. Gostaria de ver a cara de quem o encontrou o que teria pensado. Deixei-o entre os bancos da plataforma, nem olhei para trás, assim que o trem encostou entrei rápido. Não tive escolha. Não é a primeira vez que faço isso.
Outro dia deixei Clarice, só que no banco do ônibus. Fui o último a sair e deixei-a numa boa. Outro também que deixei no banco do ônibus foi Palahniuk. É preferível assim a deixar que os cupins o devorem. Houve dois ataques, um me levou Echer, Frazetta, Picasso, Magrite, Érico, Pessoa, Viginia, Lobato e outros que não lembro.
No segundo ataque foram Hugo, Ligya, Bandeira, Drumonnd, Oswaldo, Mário, Quintana, Eça e outros. Então decidi abandoná-los em lugares públicos assim alguém poderá usufruir de uma boa leitura é o que espero.
Para mim livro não tem que ficar em estantes mofando na poeira das traças e nem na fome dos cupins. Tem que ser passado adiante, rodar o mundo, ir de mão em mão para que seja lido e apreciado.
Não é não?
Eu hein!

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