O pacote
Lucius Claudius
consultou o cardápio. Acabou optando pelo lanche mais barato. Pressionou o
botão no centro da mesa e o cardápio holográfico apagou. Logo em seguida o
garçom com voz metálica colocou a sua frente o que pedira. Não levou nem dois
segundos. A eficiência trazia estampada no quadro do restaurante à nota máxima:
dez. Aliás, quase todos os restaurantes, principalmente os do centro, os de
prestígios, que possuíam condições financeiras, tinham aderido ao modernismo.
Não se via mais a mão humana, tudo era mecanizado, desde o preparo da comida
até a mesa do cliente. O que deixava o ambiente meio que frio sem a agitação de
garçom de um lado para o outro, vozes reclamando, pedindo, fila de espera, em
contrapartida, tudo era rápido, eficiente, limpo, comida saborosa, não se
perdia tempo.
Lucius Claudius
consultou o relógio estampado na parede. Cedo ainda, resmungou mentalmente
enquanto mastigava o pedaço de frango ao molho inglês. Não tinha intenção e nem
queira demorar, apenas sentia que algo o atrasaria. Não tinha certeza o que era
e nem o que poderia ser, sentiu na pele o vento frio. Nisso, ouviu a voz
metálica do garçom:
- Senhor Lucius
Claudius?
Espantado,
ergueu os olhos para a figura ao lado da mesa:
- Sim.
- Mandaram
entregar esse pacote para o senhor.
E sem dizer
mais nada e, sem dar tempo de Lucius Claudius retrucar, o garçom colocou o
pacote na mesa e foi embora. Que modo rudimentar de entregar encomenda! O certo
seria receber e, só depois de aceitar e assinar o aviso holográfico, é que a
encomenda seria entregue. Olhou o pacote sem tocar. Que embrulho horrível,
papel amassado, cheio de carimbos e selos, o seu nome e endereço estavam
escrito na letra antiga. O que poderia ser? Quem mandou para ele? Não havia
remetente, apenas um carimbo ilegível. Pensou em devolver. Não, não era
aconselhável, teria que passar por um questionário enfadonho explicando por que
estava devolvendo.
E se fosse uma
bomba? Iguais aquelas de cem atrás? Impossível, terrorismo não existia mais, o
mundo tornara-se um só país. E se fosse algum inimigo? Ele tinha inimigo?
Acreditava que não. E se esquecesse o pacote em cima da mesa ou da cadeira? De
nada adiantaria. Os garçons metálicos estavam programados a levar ao destino
qualquer objeto abandonado no restaurante, portanto era bem capaz ao chegar à
casa encontrar um deles na portaria do prédio. De duas uma, no caso de bomba: abrir
em casa e morrer sozinho ou, abrir aqui e morrer acompanhado. Optou pelo segundo.
- Quero morrer
acompanhado, chega de ser sozinho.
Pensando assim,
abriu o pacote devagar. Tirou o primeiro papel, tirou o segundo, e, abriu a
caixa...
Ninguém sabe
explicar, nem a polícia, nem os estudiosos mais capacitados, não sabem o que
aconteceu. Até o rapaz, testemunha do caso que disse:
- No momento em
que abri a porta o prédio desapareceu, ficou só o espaço vazio do que era o
restaurante.
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