A máscara.
Ele virando o corpo
perguntou:
—
O que acha dessa máscara?
Eu
que estava deitado, melhor dizendo, sentado com as costas apoiado na guarda da
cama, respondi:
—
Você vai mesmo?
—
Vou e acho que você deveria ir.
—
Não sei se devo e se eu for vou com a máscara LGBT.
—
Está querendo se aparecer é?
—
Ué já que tenho que ir vou querer abafar, não é.
—
Faça o que você quiser.
Depois
de um tempo silencioso, ele retrucou:
—
Vou com essa de estrelas vermelhas.
—
Para que tanta euforia com a máscara se depois vai tirar.
—
Eu sei, o que importa é a chegada, o frisson da chegada.
—
Depois é eu que quero aparecer...
Ele
não deu pelotas pelo o que eu disse e entrou no banho. Podia ouvir o barulho do
chuveiro, pois tinha costume de deixar a porta aberta. Apesar de amar o ser
humano, desconfiava das pessoas, achava-as meio que babacas dando relevância as
coisas corriqueiras como o apego pelas máscaras, dar importância pelo tipo de
máscara usar como se isso fosse o ponto crucial da vida. Certo, tinha que usar,
mas que fosse qualquer uma sem se preocupar com isso ou aquilo, se eu quiser
expandir a consciência, não devo me importar com banalidade, devo me soltar.
—
Por que não tomou banho comigo?
—
Para não atrasarmos.
—
Entendo.
—
Lembra do jantar?
—
Lembro. Chegamos atrasados e tivemos que comer sozinhos.
—
Por culpa sua me convidando para tomar banho junto com você.
—
Ah! eu que sou culpado seu safado.
—
Eu não, somos safados.
Rindo
entrei no banho.
É
isso... ou, não é?
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