terça-feira, 1 de dezembro de 2020

Diário de um sentir – Caderno número 7.571(2020)

             A máscara.

 

Ele virando o corpo perguntou:

            — O que acha dessa máscara?

            Eu que estava deitado, melhor dizendo, sentado com as costas apoiado na guarda da cama, respondi:

            — Você vai mesmo?

            — Vou e acho que você deveria ir.

            — Não sei se devo e se eu for vou com a máscara LGBT.

            — Está querendo se aparecer é?

            — Ué já que tenho que ir vou querer abafar, não é.

            — Faça o que você quiser.

            Depois de um tempo silencioso, ele retrucou:

            — Vou com essa de estrelas vermelhas.

            — Para que tanta euforia com a máscara se depois vai tirar.

            — Eu sei, o que importa é a chegada, o frisson da chegada.

            — Depois é eu que quero aparecer...

            Ele não deu pelotas pelo o que eu disse e entrou no banho. Podia ouvir o barulho do chuveiro, pois tinha costume de deixar a porta aberta. Apesar de amar o ser humano, desconfiava das pessoas, achava-as meio que babacas dando relevância as coisas corriqueiras como o apego pelas máscaras, dar importância pelo tipo de máscara usar como se isso fosse o ponto crucial da vida. Certo, tinha que usar, mas que fosse qualquer uma sem se preocupar com isso ou aquilo, se eu quiser expandir a consciência, não devo me importar com banalidade, devo me soltar.

            — Por que não tomou banho comigo?

            — Para não atrasarmos.

            — Entendo.

            — Lembra do jantar?

            — Lembro. Chegamos atrasados e tivemos que comer sozinhos.

            — Por culpa sua me convidando para tomar banho junto com você.

            — Ah! eu que sou culpado seu safado.

            — Eu não, somos safados.

            Rindo entrei no banho.

            É isso... ou, não é?

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