A porta.
Eu caminhava entre as
pedras. Às vezes me certificava dando a cada passada, um cuidado talvez, até
que meio exagerado. Outras não estava nem aí aonde o meu pé, tanto o esquerdo
como o direito, fosse pisar. Aqui e ali um escorregão imprevisto me sacolejava
dando-me um susto. Não tinha medo de cair, se eu caísse saberia me levantar,
mas em alguns trechos via que isso poderia se tornar perigoso e me veria
enrascado, ou mesmo preso a queda, ao chão lamacento onde vicejavam corpos
estranhos. Aquilo não me desanimava, pelo contrário fazia com que eu avançasse
cada vez mais, me levava sempre a ir adiante, a saber o fim daquela caminhada
estranha. Não ousava olhar para traz, verificar se você estava no mesmo lugar
ou, se me seguia. A vontade em olhar era imensa, mas eu me segurava a não
proporcionar essa satisfação a você. Nu, sem segurança, assim como eu, devia
estar sendo cuidadoso e lançando os pés sobre as pedras um de cada vez. Como
eu, você sabia por que estávamos ali, não era culpa minha e nem sua, e nem do
destino. Estávamos ali e pronto. Esquisito, eu sei, você também poderá achar
esquisito, como te conheço bem, estará achando tudo isso mais que esquisito,
estranho, degradante, imoral e outras coisas, o problema, isso é o que eu
penso, é a sua timidez, seu acanhamento junto com a preocupação do que os
outros irão dizer. Você está melhorando, eu sei, por isso que estamos nessa
caminhada. Espero que chegue ao final comigo e possamos comemorar a vitória. Já
estou vendo o final, veja como as pedras se tornam mais largas, sem que
precisemos pular de uma para outra. Olha logo adiante a porta, vou te esperar
para que possamos abri-la juntos, de mãos dadas, sem medo, sem preconceito, sem
angústia, sem ódio, sem rancor, sem qualquer temor. Venha, me dê a mão, vamos
abri-la devagar...
É
isso...ou, não é?
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