Feliz ano novo.
Dona
Amélia acendeu as duas velas, fez o sinal da cruz e se levantou agradecendo a
santa de sua fé por mais um ano que todos estavam juntos, filhos, genros,
noras, netos e a caminho o primeiro bisneto, até o namorado do seu filho estava
com eles. Com o peito leve saiu do quarto. Ao chegar na sala ouviu o primogênito
dizer:
—
Quem vai discursar esse ano?
Todos
olharam um para o outro quietos. E logo seguida sem esperar resposta disse:
—
O Norberto.
Na
mesma hora Norberto retrucou:
—
Não, eu não, sou tímido, não sei falar em público, passo a minha vez.
—
É né, tímido, sei, mas para...
— Cala essa boca Francisco, retrucou
Dona Amélia.
—
Isso mesmo irmão, não fale besteira, falou Fabio abraçando Norberto
—
Não ia dizer nada, eita gente desconfiada.
—
Te conheço, irmão.
—
Isso mesmo, Francisco fecha essa boca pecadora.
E virando-se para o
namorado do seu filho Dona Amélia perguntou:
— Norberto vai fazer o
discurso ou não?
Todo
envergonhado Norberto se levantou e de leve com a colher bateu no copo.
—
Ok, pessoal. Por favor a atenção. Apesar desse ano ruim com a pandemia que
passamos, temos sorte de todos estarmos aqui. Quero agradecer a todos o carinho
por me aceitarem, sei que fiquei faltando com vocês, principalmente com
Norberto que ficamos todos esses anos separados. Te amo, Norberto. E espero ver
em todos os rostos a satisfação e alegria nesse dia, agradecermos a Deus e mais
uma vez obrigado.
E
ao som de viva e aplausos, Norberto beijou Fábio.
De
repente se fez um enorme silencio. Na porta da sala apareceu um casal jovem com
os olhos assustados como se descobrissem algo extraordinário.
—
Rodrigo, Gisele o que vocês estão fazendo aqui?
—
Recebemos um telefonema de Dona Amélia nos convidando.
—
Filho deixe te explicar...
—
Pai, não precisa explicar nada, entendemos, Dona Amélia conversou com a gente por
muito tempo e concluímos que cada um deve viver a sua vida.
—
É o que sempre tentei te explicar, mas parecia que vocês não entendiam isso.
—
Sim, Senhor Norberto, desculpe o que falamos outro dia, queremos que o Senhor
seja feliz.
—
Obrigado, meus filhos, me deem um abraço, e desculpe também pelo transtorno que
causei a vocês e aquele bate boca que tivemos, também quero que sejam felizes.
Nisso
Fabio chegou perto e se apresentou:
—
Prazer, Fabio. Quantos meses?
—
Desculpe, Fabio meus filhos Rodrigo e Gisele e meu futuro neto.
—
Prazer Rodrigo.
—
Já escolheram o nome?
—
Sim, Fabricio.
—
Bonito nome.
—
Venham, vamos comer, se acheguem, disse Dona Amélia para Rodrigo.
—
Desculpe, Dona Amélia, não vamos ficar, só passamos porque a senhora nos
convidou e para ver e me desculpar com o meu pai. Agradeço por essa ajuda,
tirou um peso dos nossos ombros. E ao senhor, meu pai, mais uma vez seja feliz,
não estamos mais magoados com o senhor, entendemos que cada um tem que ter a sua
própria vida seja ela qual for.
—
Obrigado, meu filho. Não querem ficar mesmo?
—
Não, combinamos com os pais da Gisele...
—
Entendo. Vão em paz, então.
Pouco
tempo depois.
—
Fabio.
—
Desculpe, fuçar o seu celular. Vi que você estava meio triste, peguei o número
do seu filho, aliás tem por quem puxar, bonito como o pai, e pedi para minha
mãe ligar para ele.
—
Está desculpado, foi por uma boa causa.
—
Que foi, querido, está chorando?
—
Não, estou emocionado.
—
Bobo. Vamos nos alegrar.
—
Estou alegre.
E
erguendo os copos.
—
Feliz ano novo.
É
isso... ou, não é?
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