quinta-feira, 3 de dezembro de 2020

Diário de um sentir – Caderno número 7.573(2020)

             A brincadeira.

 

Filha da puta. Não deu tempo em segurá-lo. Ele gritou:

            — Me pega.

            E ao retrucar para que não fizesse isso, quando fui abrir a boca para impedi-lo, já estava no ar de braços abertos. A mesa com o impulso que ele dera caiu causando um barulho ensurdecedor. Mesmo assim, tentei me firmar com os pés meio abertos, mas não foi suficiente, ao receber o impacto do corpo dele no meu, procurei amolecer os músculos o que não deu resultado e nos dois caímos na piscina. Procurei subir logo a superfície, pois não dera tempo em prender a respiração. Olhei em volta e não o vi, segurei o ar nos pulmões e mergulhei a procura dele. Estava largado no fundo soltando bolhas pela boca e nariz, abracei seus braços e puxei para cima. Com dificuldade arrastei seu corpo para a beira da piscina e comecei a fazer a respiração boca a boca. Na terceira tentativa, senti uma mordida nos meus lábios ao mesmo tempo uma risada que eu conhecia bem. Ele rapidamente me empurrou e se levantando e mergulhou nas águas da piscina. Com raiva explodindo pelos olhos entrei em casa sem dar pelotas a ele. Logo em seguida o vejo ao meu lado.

            — Desculpe.

            — Desculpe o caralho.

            — Não gostou da brincadeira, né.

            — Vá a merda. Podíamos nos machucarmos feio.

            — Para de ser melodramático.

            — Você não pensa nas consequências, faz as coisas depois que se foda, não é?

            — Já me desculpei, ok.

            — Desculpa, desculpa, queria ver se tivesse batido a cabeça na borda da piscina estaria aqui pedindo desculpa.

            — Está certo.

            — Vou tomar banho.

            Cinco minutos depois, ele entrou no banheiro e abriu o box. Com isso a raiva se evaporou junto com o vapor da água quente.

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