A verdade dói mais que a mentira
- Estação Planetária de Sirius. Ao ouvirem o sinal não
entrem e nem saiam do trem. A faixa amarela é a sua segurança.
Ao descer na plataforma, subiu a escada e saiu da
estação, entrando no carro estacionado em frente onde leu no parabrisa: Truman
– destino: Centro Comercial de Sirius. No momento em que se acomodou e a porta
fechou, ouviu um sibilar agudo e o pequeno carro levitou por cima da esteira na
direção do centro.
O que fazia nesse planeta distante numa galáxia
distante? Tudo indicava, como lhe disseram, viera para coordenar uma pesquisa
de urgência. Só espero não encontrar nenhum monólito gigante. Apesar dos
avanços tecnológicos, algumas coisas ainda permaneciam os mesmos, refletiu
vendo a paisagem monótona correr diante dos olhos.
Ouviu também que, quem vinha para Sirius era por
defeito ou, por não servir mais na engrenagem do sistema. Em qual categoria se enquadrava?
Defeito ou não servia mais? Tudo bem sentia às vezes a máquina óssea falhar,
como se dois ossos raspassem um no outro causando uma pequena dor. Não era caso
para alarme, discreto como sempre fora, achava que ninguém soubesse. No entanto
estava nesse planeta horrível, fazendo o que? Coordenar uma pesquisa estúpida,
talvez até inventada, apenas uma farsa para cobrir a verdade. E por que é
preciso de subterfúgios, por que não ser direto, dizer logo por que o mandaram
para Sirius? A verdade dói mais que a mentira. A mentira suaviza a dor, tem-se
o baque da descoberta, mas depois certa compreensão dos fatos ameniza o
sofrimento.
Há muito tempo tinha o pressentimento de viver
falsamente, como marionete obedecendo ao comando de mãos invisíveis. A dúvida o
atormentava. Seria ele máquina ou somente um item descartável? Se fosse máquina
não estaria aqui, trocava-se a peça ruim por uma boa e estaria novinho novamente.
Era um item descartável, chegou à conclusão. Será desmontado, partes por
partes, cabeça, tronco, membros, órgãos, classificados e expostos à venda no
caso de algum ser humano ou máquina precisarem ou, se no caso a validade for
vencida, as peças serão derretidas para a fabricação de novas.
E da prateleira, no meio de diversas cabeças, mudo sem
poder pronunciar uma sílaba, foi que viu suas partes serem derretidas no grande
caldeirão bem no meio do galpão.
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