A verdade
Depois de mais de vinte anos Emma descobriu que não amava Simon. Foi sábado a noite em que convidaram os amigos. No momento em que terminaram o lanche, alguém teve a idéia de começarem o Jogo da Verdade. Todos, inclusive Emma, tinham ingerido certa quantidade de bebidas, o que não poderiam levar em conta o que dissessem, no entanto quando foi à vez de Emma responder às perguntas, ela o fez com convicção que todos se sentiram embaraçados.
- Você não ama o Simon?
- Não, não o amo.
Sua voz firme, dura, vibrou ferina ricocheteando em
cada elemento que, surpresos, não souberam se deveriam fazer ou dizer algo. Por
fim, onde o silêncio manteve a situação em suspenso, balançando a cabeça como
se ignorasse o que ouvi, ou talvez não acreditando, Camila pegou a bolsa,
despediu-se de todos e saiu batendo a porta. Assim um por um dos amigos
deixaram o apartamento. Quando o som da porta morreu pelo último amigo, Emma
acendeu o cigarro. Simon levantou-se arrancou o cigarro da boca de Emma e a
beijou com extrema força que seus lábios arderam.
- Desde quando você não me ama?
- Não sei. Acho que nunca te amei.
- Casou sem me amar?
- Sim, quer dizer, não sabia que não te amava. Só fui
ter certeza hoje ao ouvir a pergunta da Camila. Desculpe o embaraço.
- É foi um embaraço, afinal não podemos viver na
mentira a vida toda. Viver mascarado enganando a si próprio, não é?
- Concordo.
- Além do que a vida continua. Vamos tomar o nosso
último drinque.
Foi o que fizeram. Emma com os movimentos lentos não
repeliu as caricias de Simon sendo penetrada varias vezes. Chegou até a perder
os sentidos, a alma embebida de álcool não tinha mais noção do que fazia.
No dia seguinte encontraram o corpo de Emma estatelado
em cima do carro preto do Seu José Antonio. Quando a policia levou Simon preso,
alguém perguntou:
- Por que você jogou sua esposa do décimo quinto
andar?
Calmamente, virando o rosto respondeu:
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