Desaparecidos.
A noite se infiltrando pela persiana banha os corpos na serenidade do sono. Ao longe a sirene de algum carro policial quebra a quietude do quarto acordando Leandro. Sonolento puxa as cobertas ao ver as horas no rádio relógio.
- Droga!
Arrastando os chinelos como se fosse chumbo, entra no
banheiro, abre a torneira do chuveiro e deixa-se lamber pela água morna. Em
vinte minutos toma banho, se veste, e ao passar pela cama, cobre o corpo nu do
amigo. Em frente ao espelho, confere a roupa, o cabelo e sorri satisfeito.
Na lanchonete da esquina, pede café com pão na chapa,
quando surge o carro da policia parando em frente ao prédio. Enquanto se dirige
a mesa perto da janela, vê dois homens saindo do carro e entrarem no edifício. Instantes
depois, os dois homens entram na lanchonete.
- Bom dia, posso? – pergunta o homem sem chapéu.
- Claro, estava esperando os senhores.
- Como assim?
- Meu nome é Leandro e os senhores encontraram o meu
amigo Rafael morto no meu apartamento.
- Certo.
- Para não prolongar muito, eu matei o Rafael a pedido
dele, isto é, do destino.
- Então temos que levá-lo preso.
- Espere deixe contar como tudo aconteceu.
- Estamos ouvindo.
- Estava jogando pôquer na casa de outro amigo quando
Rafael chegou. Ficou observando até o final quando os perdedores, como o combinado,
tiveram que jogar a Roleta Russa. Eu estava entre os perdedores. Colocaram uma
bala no revolver, giraram o tambor e a arma foi passando de mão em mão. Aí que
está o inusitado, a bala não disparou, ela simplesmente sumiu do tambor, tinha
desaparecido. Ficamos assombrados, queriam jogar de novo, nos os perdedores não
queríamos, por fim, depois de muito bate boca, sem chegarmos a uma conclusão,
fomos embora. Rafael saiu comigo, e na rua me mostrou a bala. Foi então que
fiquei sabendo do que ele era capaz. Não só fazer uma bala desaparecer como
levitar, atravessar paredes, obrigar qualquer pessoa a fazer o que ele
quisesse, em fim, o cara era poderoso, e tinha me escolhido para ser substituto
dele. A partir daquele dia passaria a acompanhar e aprender todos os poderes
dele. E assim, mais de cinqüenta anos fui aprendendo e hoje sou tão poderoso
como ele foi. E assim será daqui a mais cem anos, vou encontrar alguém para me
substituir e esse alguém vai me matar. É o destino, diz que não podem existir
dois poderosos, entende?
- Não, sinceramente não entendi. – disse o delegado
chefe para os dois homens a sua frente.
- Foi o que ele nos contou, chefe.
- E onde está ele?
- Sumiu.
- O que? – berrou o chefe – Sumiu como?
- Não sabemos, quando chegamos aqui só achamos a roupa
dele no banco do carro. Ele tinha desaparecido.
- E vocês querem que eu acredite nessa história? Vou
dizer uma coisa: sumam da minha frente, senão eu desapareço com vocês, só
voltem quando tiverem uma boa história para publicar, compreendem?
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