Separação
Caminhou até a pequena árvore Segurou uma folha.
Sentiu toda a complexidade das nervuras da planta. No entanto como era frágil
diante do intricado sentimento arvorando o peito em dor e angústia. Mas nessa
fragilidade estava à força da folha enfrentando as intempéries da natureza.
Renato descobria-se forte contra a fragilidade da paixão. Estaria com pena de
si mesmo? Talvez, apesar de não entender se era verdadeiro ou não. Tinha
dúvidas.
Renato, no entanto, não acreditava nas pessoas. O que
poderiam elas lhe proporcionar? Possuíam o que chamavam de amor sem saber no
que implicava as dores, dúvidas, angústia, falta de sinceridade... Ao ouvir as
palavras nasaladas deixou de acreditar nas pessoas, deixou de acreditar no
amor, na vida, nele...
Debaixo do chuveiro, lentamente, a água quente
despregou dos seus pelos a mistura de esperma incrustada na pele.
Ao sair do banho, o vento não agitava as folhas da
pequena árvore, e as palavras não o infernizavam mais. A leveza da manhã
invadia a alma trazendo ao peito a alegria de se estar vivo.
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