O
procedimento foi o mesmo quando ele perseguiu o segundo sujeito. O prédio, a
escada, o apartamento, o andar, a sala tudo idêntico a primeira vez. Lá estava
o terceiro sujeito encostado a parede esperando-os. Antes de se aproximarem o
sujeito falou:
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Vamos definir uma coisa.
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O que responderam os dois.
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Você será o primeiro, disse apontando para o sujeito da direita dele, e você
será o segundo, disse apontando para o sujeito da esquerda dele, combinado?
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Sim combinado, disseram o primeiro e o segundo ao mesmo tempo.
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Por acaso surgirá o quarto? Perguntou o primeiro.
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Não sei, talvez, dessa vida pode-se esperar tudo, não é mesmo?
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É.
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Então venham aqui, você primeiro fique ao meu lado direito e você segundo fique
ao meu lado esquerdo.
Assim
fizeram e assim tudo se repetiu como da vez anterior, só que agora eram três
corpos num amalgama de desejos e paixões que durou um bom tempo. Quando parecia
que a excitação ia se extinguindo um ou outro não deixava, inventava uma nova
atração e assim o fogo se acendia queimando-os. E nessa de não deixar o ímpeto
morrer foram até o amanhecer, quando os três ao mesmo tempo se vestiram e se
postaram a janela. Ao terminarem de fumar os seus cigarros desceram e como da
outra vez ficaram observando o movimento da rua com sua massa de humanos podres
no seu vai e vem. Depois de quase uma hora o segundo disse:
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Nós vamos ficar aqui até quando?
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Até que o quarto sujeito apareça, disse o terceiro.
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E como vamos saber que será o quarto?
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Como vocês souberam de nós, disse o segundo.
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A paciência é a arma do sucesso, disse o primeiro.
Os
dois olharam para o primeiro e deram risada.
É
isso... ou, não é?
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