Amanhã é outro dia.
Meia noite e treze minutos. Sete de dezembro... Percorro labirintos de fios invisíveis prendendo-me em nós de sobrevivência. O batom perfura a pele dos lábios renegando desejos suicidas. Permito-me aos últimos retoques com a cara enfiada no espelho. O filho da puta, cadê a tua ambição, ela grita do outro lado do espelho. Sorrio heroicamente e respondo, está assexuada entre as pernas sua infeliz. Respiramos conformadas.
Meia noite e quarenta e cinco minutos. Sete de
dezembro... A madrugada está agradável. Que venham os filhas das putas com seus
caralhos de dinheiro. Que venham os desgraçados com seus buracos famintos de
desejos. Rasguem os sonhos entre lençóis esquecidos de suas ambições juvenis.
Caço o sorriso entristecidos pela alegria esperançosa.
Seis e cinqüenta e cinco minutos. Sete de dezembro...
A claridade da manhã empurra os sombrios desígnios de cada um para os seus
esconderijos. Conto o suor, a respiração, e o gozo em cada nota amassada.
Sobrou pouca coisa para o enfadonho lazer. Amanhã é outro dia. Em seguida desabo
em cima da cama o corpo estilhaçado.
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