terça-feira, 20 de abril de 2021

Diário de um sentir – Caderno número 8.662(2021)

         

            Não poderia dizer se era profundo ou não. Uma força o empurrava para baixo impedindo de levantar a cabeça. E não sabia se estava num tanque, piscina, lago ou mesmo mar. Mar não era, tinha certeza, a água de cor verde não possuía movimentos. Era uma água parada. Distinguia pontos pretos como se fossem gravetos. Mesmo com a reação que fazia no intuito de subir à tona, a água continuava parada. Por outro lado, não existia a pressão da água sobre ele, apenas a sentia e a desconhecida força empurrando-o a permanecer debaixo da água. Sufocava-se, abria a boca na intenção de encher os pulmões de ar, mas nada acontecia, nem ar e muito menos água, somente sufocação oprimindo o peito. Como último recurso, fez pressão contrária e percebeu a resistência se enfraquecendo. Aumentou a força. Estava conseguindo, notava que a cabeça se enguia em direção à tona. Começava a ter esperança, já sentia a cabeça na superfície respirando o ar, mas aconteceu de abrir os olhos e o peito arfou violentamente e respirou o ar do quarto. O batimento cardíaco se normalizou, soltou um suspiro aliviado, puxou a coberta para o peito e se virou para o canto da parede voltando a dormir.

            É isso... ou, não é?

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