Que
lastima, meu querido. O que? Ficou sabendo como te encontraram? Não, como?
Deitado no meio da rua, encolhido na forma fetal e gritando: “Pare o carro,
pare o caminhão”. Mas, é verdade. E o que você contou para a polícia, para os
médicos, então! O que eu contei? Não lembra, que fulano ao dar ré no carro ou
caminhão, pois uma hora você dizia carro e numa outra hora dizia caminhão, ao
dar ré atropelou o ciclista. Foi isso mesmo. E o atropelado saiu debaixo do
caminhão tirou o motorista e começaram a brigar, atropelado, todo machucado,
ensanguentado brigar com o motorista, como? Não sei como, mas foi assim mesmo.
Depois apareceu um senhor berrando que tinham quebrado a vitrine da loja dele.
Estava bravo, berrava como um louco, aí surge um doido com um taco de sinuca
batendo para todos os lados e, você pensa: “Agora que estava tudo bem, na paz,
acontece isso”. Verdade. E de onde você tirou que estava urinando atrás da casa
e que iria levar bronca por causa disso. Olha eu queria ter feito alguma coisa
para salvar o ciclista ou mesmo o motorista, mas fiquei pregado no meio da rua
puto porque ninguém chamava a polícia ou a ambulância. E só gritava “para o
carro ou para o caminhão”. É isso mesmo. Sabe depois o que ocorreu, não é? Fale
logo que eles estão vindo. Eles quem, a polícia não encontrou nada, nem carro,
nem caminhão, nem atropelado, nem vitrine quebrada, nada. Eles chegaram, não me
deixe. Eles quem? Pronto, foram embora, agora vou ficar com sono e dormir. Não
vai não, merda, não gosto quando você faz isso, me deixa sozinho, acorde, que
saco, porra...
É
isso... ou, não é?
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