quarta-feira, 28 de abril de 2021

Diário de um sentir – Caderno número 8.666(2021)

           

            Que lastima, meu querido. O que? Ficou sabendo como te encontraram? Não, como? Deitado no meio da rua, encolhido na forma fetal e gritando: “Pare o carro, pare o caminhão”. Mas, é verdade. E o que você contou para a polícia, para os médicos, então! O que eu contei? Não lembra, que fulano ao dar ré no carro ou caminhão, pois uma hora você dizia carro e numa outra hora dizia caminhão, ao dar ré atropelou o ciclista. Foi isso mesmo. E o atropelado saiu debaixo do caminhão tirou o motorista e começaram a brigar, atropelado, todo machucado, ensanguentado brigar com o motorista, como? Não sei como, mas foi assim mesmo. Depois apareceu um senhor berrando que tinham quebrado a vitrine da loja dele. Estava bravo, berrava como um louco, aí surge um doido com um taco de sinuca batendo para todos os lados e, você pensa: “Agora que estava tudo bem, na paz, acontece isso”. Verdade. E de onde você tirou que estava urinando atrás da casa e que iria levar bronca por causa disso. Olha eu queria ter feito alguma coisa para salvar o ciclista ou mesmo o motorista, mas fiquei pregado no meio da rua puto porque ninguém chamava a polícia ou a ambulância. E só gritava “para o carro ou para o caminhão”. É isso mesmo. Sabe depois o que ocorreu, não é? Fale logo que eles estão vindo. Eles quem, a polícia não encontrou nada, nem carro, nem caminhão, nem atropelado, nem vitrine quebrada, nada. Eles chegaram, não me deixe. Eles quem? Pronto, foram embora, agora vou ficar com sono e dormir. Não vai não, merda, não gosto quando você faz isso, me deixa sozinho, acorde, que saco, porra...

            É isso... ou, não é?

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