segunda-feira, 10 de maio de 2021

Diário de um sentir – Caderno número 8.672(2021)

 

            Silencio na madrugada. Silencio de vozes, de passos, de perdidos em suas sombras melancólicas. Silencio envolvido pelo ronco da geladeira, pelo lampejar das lâmpadas iluminando objetos mortos, dos longínquos carros em suas voltas no eixo de si mesmo. E eu nesse silencio despreocupado como zumbi ensandecido no querer comer o próprio cérebro em azeite superquente. Sou o ser que sou e nada sou não querendo ser o ser que sou. E esse ser que sou se endurece na própria pureza de ser enfadonho, mesquinho, egoísta, narcisista e outras merdas que se envergonha de expressar. Carrega nos ombros todo o problema individual de não ser correspondido. Essa atitude o deixa empobrecido de atos e palavras fracas de energia corroendo o seu íntimo, é melhor dormir no sossego de não ter você ainda comigo.

            É isso... ou, não é?

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