quarta-feira, 19 de maio de 2021

Diário de um sentir – Caderno número 8.676(2021)

             Sinopse:

 

            Dois rapazes trabalham na mesma empresa, em departamentos diferentes. Um tem vinte e oito anos e o outro tem trinta e cinco anos. Não tem intimidades, isto é, não são chegados, não são amigos, apenas se cumprimentam ao se cruzarem pelos corredores da firma.

O rapaz de vinte e oito anos está sempre sozinho, não se envolve com os amigos do departamento, tímido, super envergonhado, tem aspiração em ser escritor, não gosta de falar em público, trabalhador, vive sozinho, se veste bem, sempre se pode vê-lo as sextas feiras bebendo sua cerveja no bar restaurante que frequenta lendo algum livro ou escrevendo.

O de trinta e cinco anos é o oposto, extrovertido, brincalhão, tem fama de mulherengo, estudante de música, já fez teatro amador, mora com os pais, já foi casado, divorciado, sem filhos, as sextas feiras com os amigos curtem a noite, e se diz apaixonado pela vida e pela música.

Nunca se encontraram, nunca se conversaram, nunca saíram juntos para curtir a noite, apenas um bom dia ou olá pelos corredores da empresa. O rapaz de vinte e oito vive escrevendo e mostra aos amigos e um desses escritos, sem saber como, foi parar nas mãos do rapaz de trinta e oito, que ao ler gostou do texto e foi procurá-lo, queria escrever uma música baseado no que escrevera. Conversaram, se acertaram e o de trinta e oito prometeu escrever a canção. Passaram se anos, talvez dois ou três, tinham até esquecido um do outro, quando uma manhã o de trinta e oito lhe entregou um cd com a música que dissera. O rapaz de vinte e cinco agradeceu, ouviu, gostou imensamente, e escreveu um outro texto como agradecimento. E voltaram cada um para os seus afazeres e continuaram com apenas os comprimentos formais pelos corredores da firma.

Tempos depois, o de vinte e oito que nessa altura já não tem mais vinte e oito, mas deixemos para lá, se desliga da firma. E num dado momento, sem saber como aconteceu, começa a conversar com o de trinta e oito que, também nessa altura não tem mais trinta e oito, mas deixemos para lá esse item, e trocam mensagens via WhatsApp. E nessa de conversa aqui e conversa ali, o de trinta e oito que já não tem mais essa idade, em suas andanças pelo mundo a procura de encontrar a si mesmo, descobre que seu mundo, o se encontrar a si mesmo é o rapaz de vinte e oito anos, que mesmo sem saber o porquê ele é a paz que sempre procurou pelas andanças que fizera. E agora era descobrir o que o outro pensava sobre isso, se ele dissesse sim, maravilha, se ele dissesse não, maravilha também, fosse qual fosse o que o outro lhe diria, ele se sentiria feliz, pois descobrira o que sempre procurava.

É isso... ou, não é?

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