terça-feira, 25 de maio de 2021

Diário de um sentir – Caderno número 8.679(2021)

          

            Martim percebeu que realmente Juliano ficara chateado em ter o encontrado no bar e não no desembarque quando pela terceira vez dissera.

            --- Não foi o combinado.

            --- O que não foi combinado?

            --- Ter encontrado você aqui e não no desembarque.

            Dissera que ao ver que o amigo não estava o esperando, achou, de duas ou uma, que não viera ou teria ido embora com raiva de esperá-lo, afinal a culpa não era dele. Martim explicou o quanto cansado estava, já tinha tomado vários cafés e nada de apaziguar a ansiedade por isso decidiu tomar cerveja.

            --- Sei, entendo, disse Juliano ao ver as garrafas vazias.

            Queria ir embora logo, o último ônibus que os levaria até o metrô sairia dali a quinze minutos, o que Martim protestou.

            ---Tomemos mais uma e depois chamaremos um Uber.

            Juliano queria era a sua cama e se jogar nela e dormir o quanto fosse necessário.

            --- A viagem até que foi boa, respondeu à pergunta do amigo, apenas que estava sentado entre duas pessoas que conversavam sem se importar comigo. Me prontifiquei em trocar de lugar com uma delas, mas a moça não queria deixar a janela e o rapaz não queria deixar de beber seu uísque toda vez que a aeromoça passava empurrando o carrinho de bebidas. Não consegui ler nada e muito menos tirar um cochilo.

            --- Sei, sei, são coisas que nos acontece sem que previmos. Estou contente em finalmente em vê-lo.

            --- Também estou.

            Juliano queria deixar o aeroporto, Martim não.

            --- Amanhã, Juli, teremos o dia inteiro para descansar, vamos aproveitar, poxa.

            Detestava quando o amigo o chamava por Juli, fazia se lembrar da gata que a irmã tinha chamada de Juli. Não gostava do animal, não sabia por quê. E Martim o fazia só para vê-lo chateado. O amigo tagarelava interruptamente, quase não dando tempo de Juliano responder com monossílabos. No entanto reparou não se importar mais se deveria ou não ir embora, a conversa entre eles estava alegrando-o. O falatório do amigo o envolveu que se viu pedindo uma cerveja. Por fim, ficaram conversando e bebendo até que a funcionária pediu gentilmente que saíssem para ela limpar o bar. E se encaminharam para a saída do aeroporto.

            É isso... ou, não é?

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