terça-feira, 4 de maio de 2021

Diário de um sentir – Caderno número 8.669(2021)

            

            Estava no vazio das calçadas noturnas pisando obscuras saliências que me levaram a frente do cinema de pegação. Na falta do que fazer e no excitamento de alguma aventura, entrei. Meus olhos afoitos por conhecer analisavam cada elemento físico e abstrato do lugar. Despreocupado sentei-me no meio de uma fileira vazia. Procurei prestar atenção na delonga fútil e desprezível que se passava na tela na tentativa de eliminar o excitamento. A putaria do filme não me levou a lugar nenhum, assim sendo, cinco minutos depois procurava a saída. No entanto um pouco antes de cruzar a porta para o hall vejo dois homens se pegando, se beijando num amasso desenfreado. Volto para dentro e reparo a movimentação em um vai e vem tendo alguns rapazes encostado na parede em posição desleixada e provocante. Também, me encosto na parede e logo em seguida sou amassado contra ela, sendo beijado avidamente e tendo minha camisa aberta onde a mão desenfreada alisa meu peito. Sufocado, pego desprevenido, ouço em meu ouvido:

            --- Passivo ou ativo?

            Fico por momento sem o que responder e temeroso respondo:

            --- Ativo.

            O rapaz olha nos meus olhos que não consigo vê-los por causa do escuro, se afasta e diz:

            --- Também sou ativo.

            E se perde no vai e vem escuro do cinema. Me arrumo, abotoou a camisa, passo a mão nos cabelos e saiu daquele antro para nunca mais voltar.

            É isso... ou, não é?

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