Entrou no velório e foi direto para o caixão no meio da sala.
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Filha da puta, mesmo morto continua bonito.
Em
seguida se inclinou e beijou a testa fria, depois tirando um embrulho da
mochila colocou nas mãos do falecido.
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Ei, o que você está fazendo?
Era
o merda do irmão. Virando-se para ele respondeu:
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Não é da sua conta.
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O que você colocou nas mãos do meu irmão?
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Não te interessa.
Nisso
uma senhora se aproximou ao mesmo tempo que o funcionário do cemitério.
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Já está na hora...
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Um momento, disse para o funcionário.
Virando-se
para ele:
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O que está acontecendo? Você não é o namorado do meu filho?
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Sou.
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E o que está fazendo aqui?
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Vim trazer um presente que há vinte e oito anos devia a ele.
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Você não acha que está atrasado?
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Nunca é tarde demais, não é o que dizem?
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Minha senhora, está na hora.
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Sei. Espere um pouco.
O
que estava nas mãos do seu filho era uma caixa de bombons que ela tentou tirar,
mas parecia que o filho segurava, não queria largar.
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Solta, disse dando mais um puxão.
Horrorizada,
largou a caixa, teve a impressão de que o filho franzira a testa como sempre
fazia quando estava zangado. E se dirigindo ao funcionário disse:
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Pode fechar o caixão.
Dois
dias depois começaram a aparecer papéis de bombons onde o filho fora enterrado.
A princípio não ligaram, mas aí começaram a aparecer dois papéis, e isso foi
durante anos. Ninguém sabia explicar. E quando foi preciso exumar o corpo para
a retirada dos ossos se assombraram. A caixa de bombons estava intacta segurada
por mãos que só se viam ossos, e, ao abrirem a caixa, constataram que estava
vazia e no fundo estava desenhado um coração onde no meio estava escrito o nome
do filho e do namorado.
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