Roupas dependuradas no varal lembram o vazio
dos corpos que um dia a usaram. Coisas simples que não havia compreensão.
Deixavam-no aturdido, embasbacado, precisava alcançar o cerne do vazio para
compreender. Procurar nas dobras das roupas, uma por uma a essência vida que
por pouco tempo existia dando à roupa a condição de roupa. Assim pendurada, por
pregadores, ao sabor da matéria pano e linhas, era nada, apenas pano costurado
aqui e ali dando forma de roupa. Assim como o corpo, que sem o invólucro da
roupa não pode ser considerado corpo. Uma coisa não vive sem a outra.
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