Lentamente o piano avança nos acordes envolvendo os cantos com a sonoridade de piano e, essa melodiosa sonoridade interrompe o vazio silencioso, preenchendo-o por todos os lados. Os martelos martelam as cordas revelando o tema principal que, percorre toda a solidão da casa trazendo aos móveis o trepidar da música. Em cada enfeite, bibelô, caneta, boneca e outros cacarecos, o tema principal se desenvolve por todos os lados, como se carregasse a fluidez no medo e, no entanto, todos permanecem no lugar em que foram depositados esquecendo-se seu estado de imobilidade.
Não tenho
piano, a casa é pequena, o que não é motivo para não gostar de piano, por isso,
assim que a orquestra inicia seu andamento aceitando o convite do piano, juntos
se elevam e flutuam ganhando o espaço do quintal úmido e frio por causa da
chuva.
Ajeito as características como era antigamente
e, parece que o resultado está sendo positivo. Meio que lento, meio que
sonolento, mas esta saindo e, creio que não mais aos tropeços e trambolhões
onde uma letra puxa outra, onde a palavra era pescada no fundo de não sei onde
e vinha toda enregelada de angústia sem saber se seria usada ou não. Agora, assim
que a palavra é pescada, ela já sabe que será usada e não jogada no lixo
informático.
Rasgo as linhas que formam as palavras e destrinchou-as no cardápio da leitura onde cada um refaz tirando suas conclusões.
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