Pirata.
Todo cuidado é pouco, sua mãe sempre lhe dizia. Mas
pirata pelo que ele sabe, não tem mãe, pai, não tem ninguém, ora bolas! Então
tinha que fazer um jeito ou uma maneira de apagar essas lembranças. E para ser
pirata se todo cuidado é pouco, ele vinha tomando os mais diversos cuidados. O
que não podia é deixar-se pegar pela soldadesca gananciosa em por as mãos em
cima dele. Conseguira até o momento transitar livre pelo mar lutando, isso sim,
com a tormenta levando-o para lugares distantes e estranhos ao que imaginara.
Era parte do
jogo da pilhagem desenfreada que ele e seus comparsas vinham praticando. Ainda
bem que tinha um navio rápido, velas firmes amaradas em cordames fortes. Sentia
orgulho de ser pirata, orgulho em ter essa malta de foragidos que nunca
pestanejavam em pilhar, em matar, e, isso tinha a máxima certeza, eram fiéis a
ele.
No entanto corria um boato. Não só entre os seus
asseclas como em todo porto em que eram obrigados a parar. Quando um boato
passava de porto em porto, de boca em boca de cada pirata, podia contar duas
coisas: ou era verdadeiro ou a morte estava sendo anunciada. Não gostava, mas
aquele boato estava com cheiro de ouro. Por isso, mudou o rumo e apontou a proa
para o norte como indicava a bússola. Precisava arrumar outro graveto que
aquele já estava gasto.
O famoso pirata Caolho de Morte sumira. Ninguém sabia
o que lhe acontecera. Mas diziam que toda a pilhagem que ele fizera deixara
enterrada na Ilha do Cabo Torto. Não era do seu feitio, ele, Pirata de Um Olho
Só seguir boatos, não era. Ele tinha mais prazer eram na abordagem em alto mar,
pilhar navios desprevenidos, principalmente os que transportavam valiosas
cargas. Porém, para evitar um motim que, sabia seria derrotado e jogado ao mar,
estava partindo para a Ilha do Cabo Torto. Consultou novamente a bússola de
graveto torto.
Nisso, quando o navio subia levado por uma onda
enorme, ouviu um grito ao longe. Droga! Era a mãe chamando-o para tomar banho e
jantar. Como um bom menino obediente, deixou a bússola de graveto torto
guardada no lugar de sempre, fechou a caixa de papelão perto a parede.
- Já estou indo mãe, gritou subindo as escadas do porão da casa.
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