Alucinação.
Tony apunhalou com raiva o batente da porta que os
nervos da madeira rangeram ao sentir a ponta da faca. Deoclécio que estava
próximo recebeu o calor do movimento da mão de Tony ao sentir o vento bafejando
o rosto. Num susto precipitado, deu um pulo para trás ao mesmo tempo chamando-o
de estúpido.
Tony pouco se
lixou, continuou sem ouvir o amigo. Queria extravasar a raiva e achou o batente
da porta o melhor lugar. Em seguida, jogou a faca no chão e saiu como se
estivesse fugindo de algo.
Deoclécio sem entender nada, olhou para o vulto esguio
se embrenhando na tarde que começava a cair. Depois, pegou a faca do chão. Viu
que estava suja de sangue. Olhou o batente da porta, vertia sangue. Estarrecido
largou a faca que batendo no ladrilho pareceu gritar.
Estaria ele alucinado ou seria reflexo da ação de
Tony? Afinal Tony, para ele, isto é, em sua concepção não tinha nada a perder.
Demonstrava sua raiva e dor. Quem vai saber o que se passa na cabeça de um
desnorteado! Seria por necessidade, por demonstrar que estava ali, a sua frente,
que não era uma pessoa tão somente?
Talvez o sangue seja um corte que fizera na mão ao
apunhalar o batente da porta. Talvez a porta estivesse realmente sentindo as
facadas. Estaria louco de pensar dessa maneira. Onde já se viu porta verter
sangue? Só em história de Stephen King. Chegou à conclusão. Não iria mais ler
contos de terror, especialmente de Stephen King.
Fechou o livro. Jogou-o contra a parede.
Saiu, ganhou a rua e entrou no primeiro bar.
Precisava sentir as pessoas de carne e osso.
Chega de ler falou para o copo de cerveja.
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