terça-feira, 19 de outubro de 2021

Diário de um sentir – Caderno número 8.746(2021)


                        Sábado esquisito, frio, silencioso parece que o mundo ficou quieto, ninguém nas ruas, e já são mais de dez horas, enfim, não está aquele costumeiro movimento que se vê todos os dias, talvez seja o frio, vai se saber né.

                        Ontem por motivos precisos tive que pegar o metrô, eu e as netas. Nem bem sentamos apareceu um pedinte. Esses caras surgem do nada, quando menos se espera, ei-los esmolando, e ontem apareceu um sujeito gordo, escarrapacho numa mambembe cadeira de rodas. Com a costumeira lenga-lenga de sempre. E ao passar por mim, estava em pé, segurando a frasqueira rosa de bolinhas da minha neta, ele passa por traz e diz:

                        --- Me diz onde comprou essa bolsa para comprar uma para mim.

                        --- Pode deixar, passarei o endereço para você.

                        --- Elas são gêmeas?

                        Sempre confundem as duas achando que são gêmeas, não veem a enorme diferença entre as duas.

                        --- Não são.

                        --- Se parecem. Eu tinha duas filhas, uma de quatorze e a outra de seis, morreram num desmoronamento, elas, minha mulher e minha mãe. E estou nesta cadeira de rodas a mais de cinco anos. Eu era cobrador e o motorista reagiu a um assalto e o bandido começou a atirar em todo mundo e uma bala me acertou e me deixou paralitico.

                        --- Que coisa. Sinto muito.

                        --- É a vida, disse ele.

                        Pouco depois ele começou a falar.

                        --- Pessoal sei que as coisas estão difíceis, mas vocês sabem quem é culpado por essa pandemia?

                        Ninguém respondeu e então ele continuou:

                        --- O carnaval, minha gente, o carnaval. E agora o carnaval está liberado novamente e aguarde que vem carga pesada, agora a pandemia vai ser pior, escutem o que estou falando.

                        Como chegamos na estação que íamos descer, preocupado com mochilas e as netas não vi para onde o sujeito foi, vi ele descer, mas não o vi na plataforma, evidentemente ele entrou em outro vagão.

                        É isso... ou, não é?

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Vazia.

                                            Vazia. A minha mente está vazia.Vazia.Vazia.Tanta coisa as quais posso escrever e nada me vem à ...