Sábado
esquisito, frio, silencioso parece que o mundo ficou quieto, ninguém nas ruas,
e já são mais de dez horas, enfim, não está aquele costumeiro movimento que se
vê todos os dias, talvez seja o frio, vai se saber né.
Ontem
por motivos precisos tive que pegar o metrô, eu e as netas. Nem bem sentamos
apareceu um pedinte. Esses caras surgem do nada, quando menos se espera, ei-los
esmolando, e ontem apareceu um sujeito gordo, escarrapacho numa mambembe
cadeira de rodas. Com a costumeira lenga-lenga de sempre. E ao passar por mim,
estava em pé, segurando a frasqueira rosa de bolinhas da minha neta, ele passa
por traz e diz:
---
Me diz onde comprou essa bolsa para comprar uma para mim.
---
Pode deixar, passarei o endereço para você.
---
Elas são gêmeas?
Sempre
confundem as duas achando que são gêmeas, não veem a enorme diferença entre as
duas.
---
Não são.
---
Se parecem. Eu tinha duas filhas, uma de quatorze e a outra de seis, morreram
num desmoronamento, elas, minha mulher e minha mãe. E estou nesta cadeira de
rodas a mais de cinco anos. Eu era cobrador e o motorista reagiu a um assalto e
o bandido começou a atirar em todo mundo e uma bala me acertou e me deixou
paralitico.
---
Que coisa. Sinto muito.
---
É a vida, disse ele.
Pouco
depois ele começou a falar.
---
Pessoal sei que as coisas estão difíceis, mas vocês sabem quem é culpado por
essa pandemia?
Ninguém
respondeu e então ele continuou:
---
O carnaval, minha gente, o carnaval. E agora o carnaval está liberado novamente
e aguarde que vem carga pesada, agora a pandemia vai ser pior, escutem o que
estou falando.
Como
chegamos na estação que íamos descer, preocupado com mochilas e as netas não vi
para onde o sujeito foi, vi ele descer, mas não o vi na plataforma,
evidentemente ele entrou em outro vagão.
É
isso... ou, não é?
Nenhum comentário:
Postar um comentário