Para o Felipe Guilherme
Estou sempre
Quando pela
primeira vez entrei nessa casa, percebi algo forte, positivo, que abalou o
alicerce da minha carne fazendo-a vibrar intensamente. Não me pus em guarda,
nada disso. Não poderia, pois já sabia o que estava destinado. Não precisei nem
colocar o pé porta dentro, já tinha noção desses acontecimentos. Parece que ela
se ofereceu a mim, entende? Foi algo como um prêmio que estava ganhando. Por
isso não houve na minha estrutura óssea e, muitos menos, na estrutura nervosa
indecisão. E como tudo mundo sabe da minha incapacidade perceptiva, da
dificuldade em raciocinar na rapidez dos sentidos, não poderia estar sentindo
essas sensações. Mas como há o mistério para ser desvendando, ali se encontrava
mais um que era urgentemente necessário o seu desvendamento.
Portanto assim
que tomei conhecimento disso tudo, que o fluir nirvânico trespassou meus
sentidos, destaquei-me a receber toda a capacidade fluídica da casa. Foi um
troço inexplicável, sensacional, posso até dizer, sem peja nenhuma, que foi
deslumbrante. Captei o pulsar de suas fibras depositando cada pulsação na
pulsação do cerne do meu coração. Se o medo existia, não deu manifestação
nenhuma, não atrapalharia em nada o histórico que, a partir daquele momento,
estaria ponto no papel abstrato todo o seu desenrolar fascinante. Todo o seu
potencial fantástico.
A primeira
coisa que tinha a fazer, e se não o fizesse não estaria agora revelando toda a
história, era-me por a nu. Desenraizar o preconceito, esse verme retrógado da
sociedade, para que na frieza da pele houvesse a penetração de todo o
conhecimento da casa. Quando introduzi a pequena chave na fenda da fechadura,
foi um principio orgástico que depois se estendeu por longo tempo. Ao ouvir o
gemido do clique da fechadura, a casa se abriu toda aos meus olhos. Lentamente
empurrei a porta e... Contive a voz para que não saísse num prolongado e
delicioso grito de prazer.
Acompanhando o lendo movimento da porta, meu olhar foi divisando a sala totalmente. Pequena sala, diga-se de passagem, mas aconchegante, quente, gostosa onde os moveis completavam todo o conforto de se estar prazerosamente dentro dela. E nesse exato momento a alma da casa me dominou para sempre. Não foi preciso percorrer os outros cômodos, dali do meio da sala visualizei a cozinha, a outra sala, o quarto e o quintal, foi um elevo que prometi a mim mesmo que jamais sairia daqui e, por todos esses anos, talvez uns trinta ou quarentas que pertenço a casa assim como a casa me pertence. Pode-se dizer que estamos um enraizado no outro infinitamente. Sei que ao morrer, ela morrerá também.
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