terça-feira, 30 de novembro de 2021

Sou a avenida que me abraça

 

Sou a avenida que me abraça

Sou o asfalto em que me deito

Sou a máscara de todos os pecados

Sou todos os passos alucinados

 

Sou a fome que me envenena

Sou o riso triste e disfarçado

Sou a miséria que reinvento

Sou eu você o tudo e o nada

 

Bebo as gotas do verão ácido

Como alimento estragado

Mato a sede na água sórdida

 

Vivo fugindo do perigo

Sou covarde do meu destino

Morro em cada beijo repulsivo

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