Olhou as linhas em branco do pequeno caderno
de capa dura azul. Com a esferográfica preta, sem critério literário escreveu
palavras esparsas numa aleatória falta de intensidade que achou que deveria apagá-las.
Era cedo, talvez seria sete horas ou sete e qualquer coisa, não seria motivo
para desespero por não ter critério no que escrevia. O que eu deveria fazer era
tomar café, disse melancólico, ou ainda desenhar um pouco. Nisso o alarme do
celular virou lembrando-o do medicamento. Continuava na mesma posição a mais de
trinta minutos indeciso. O som estridente avançou quebrando a sonoridade do
silencio da manhã que prometia devaneios nada prestativos. Encheu o copo com
água e sem se aperceber tomou o comprimido não prestando no que fazia, sem olhar
os movimentos, pensando colocar o copo em cima da pia, soltou no ar indo se
espatifar no chão da cozinha. Da boca de lábios nada sensuais, soltou uma exclamação
de raiva quase gritado. Caralho, presta tenção no faz, e ao mesmo tempo sentiu
uma vontade de chutar tudo mandando a merda, no entanto engolindo a raiva, pegou
a vassoura e a pá, varreu cuidadosamente cada milímetro o chão, pois não queria
que alguém viesse pisar em algum caco se machucando, apesar que raramente recebia
visitas, então sou eu que posso pisar em algum caco e me machucar, pensou,
intensificando a limpeza.
É
isso... ou, não?
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