domingo, 12 de dezembro de 2021

Diário de um sentir – Caderno número 8.759(2021)

                      

            O que você costuma fazer como exercício literário? Escreveu logo após largar o livro ao término da leitura de um capítulo do romance Babbit, de Sinclair Lewis. O que eu costumo fazer, bem, as vezes escrevo palavras esparsas, jogadas neste pequeno caderno de capa dura azul, espalho as palavras sem pensar muito nelas, principalmente seu significado, no que elas podem dizer ou não, procuro colocá-las numa sincronia desleixada aleatoriamente de beleza onde o leitor, se houver, possa se encantar e engradecer admirado com a beleza poética. Isto quer dizer que você não se preocupa, além dessa questão, em criar personagens que possam transitarem numa história comovente seja drama, comédia ou suspense, é isso? Sim, isso mesmo, é uma falha que reconheço e devo eliminá-la. Pelo que vejo, você nos seus textos não tem, não vou dizer condição, e não sei que palavra usar, mas sem ser pejorativo, vamos dizer tarimba para deslanchar numa estrutura de início, meio e fim, numa criação estudada, tanto psicologicamente como ficcional de personagens real ou não, de personagens, mesmo que ficcional possa ter pequenos toques de suas características ou mesmo de outras pessoas conhecidas, é isso? Sim, é verdade, não sei separar a casca da realidade e deixar apenas a casca literária, mesmo que possa ficar algo irreal, não consigo, creio que por falta de prática, exercício, estudo ou sei lá, e... bom, melhor continuar esse texto outro dia, tenho que me movimentar no hoje para que o amanhã seja mais formidável quanto o hoje será...

            É isso... ou, não é?

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