Com
cuidado de alquimista, preparou os objetos, os utensílios, copos, canecas,
palitos de sorvete, telas, luvas sujas, tintas de diversas cores e outras tralhas
que pudesse usar. Colocou todos em cima da mesa no meio do ateliê. Estava
mexendo na mistura do amarelo com vermelho e branco quando o insidioso inseto
começou a voejar a sua volta. A princípio não deu importância, mas o maldito
inseto não o deixava sossegado, procurou afugentá-lo, primeiramente com as mãos
enluvadas e sujas de tintas, com isso os respingos de amarelo e vermelho
misturado com branco se impregnaram a sua volta, na parede, na mesa, nos seus
cabelos, sobre a tela que estava trabalhando. Com desagrado pavor viu que teria
que repintar, a tela estava mutilada pelos terríveis respingos de tinta. Falou
um filha da puta bem sonoro e reconheceu o desperdício, os gastos, aquela
mistura não poderiam mais ser usada, teria que jogar fora. Maldito inseto. Porque
existem, berrou sem ter uma resposta. Tinha de matá-lo isso sim, disse a si
mesmo. Tinha como regra eliminar tudo o que lhe atrapalhava. Pegou o inseticida
e borrifou pelo ateliê inteiro. Sem perceber os respingos caíram na tela e não
viu o inseto pousando nela. Confiante de que tinha eliminado o maldito, voltou
sua atenção para o que fazia. No entanto ao pegar a tela para ver se a
aproveitava, quando a ergueu na altura dos seus olhos, horrorizado viu dois
longos ferrões se aproximando do seu rosto e, num lance rápido sem dar tempo de
se desviar, sentiu a ferroada em suas bochechas. Largou a tela que caiu no
chão. E sentiu que estava encolhendo até que ficou do tamanho do inseto. Petrificado
viu que preso se tornara um acessório, um componente da tela, não sairia mais
dali. E hoje em alguma parede de alguma sala de alguma casa estava preso a tela
enfeitando o ambiente.
É
isso...ou, não é?
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