domingo, 19 de dezembro de 2021

Pequenas histórias 338

 Oito horas

 
Oito horas. Oito horas da manhã de um dia qualquer. Um dia qualquer que nada vem representar se nada ocorrer. Mas sempre ocorrerá uma coisa ou outra, seja ela positiva, seja ela negativa. O que temos a fazer é filtrar as coisas, filtrar de maneira que a força negativa seja transformada em algo razoavelmente positivo, que faça com que aquela parte dentro da gente seja satisfeita e, assim possamos mudar os passos que nos levará a completar o dia a partir dessa manhã qualquer.

Oito horas. Oito horas que já não são mais oito horas e, sim oito horas e cinco minutos, o que torna ao mesmo tempo presente passado nossos movimentos instantaneamente concretizando-nos na cena da vida. Oito horas e cinco minutos e já perceberam que não sei o que escrever e, no entanto forço a mente a pressionar os dedos nessas teclas – quantas vezes usei essas palavras? É preciso mudá-las – na tentativa em dizer alguma coisa interessante. Vocês meus leitores assíduos, o que espero que sejam, acompanham o deslumbre em que me entrego a escrita, quase que desbragadamente.
Oito horas. Oito horas que já não são mais oito horas e, sim oito horas e treze minutos que vai se arrastando num cinza de chuva e frio, segundos a segundos, sem que possamos interferir nos acontecimentos previstos no calendário profissional, esquecendo-nos do calendário do prazer e lazer. Aonde vamos  afundando num marasmo cotidiano de números tridimensionais, ou melhor dizendo, abstratos de ganhos e perdas, talvez mais perdas do que ganho. Aonde os acontecimentos depositados no recôndito da carne são ignorados para os imediatos acontecimentos deflagrando espanto raiva ou ódio aos nossos olhos cansados.

Oito horas. Oito horas que já não são mais oito horas e, sim oito horas e vinte e três minutos que talvez precise interromper essa escrita e voltar minha atenção ao que não quero prestar atenção. Mas tudo bem, como se diz num jargão de otimismo: dias melhores virão. Vamos então esperar esses dias melhores que nunca chega, mas que traz esperança aos que não estão cansados de esperar. Eu já estou cansado de esperar, talvez seja necessário colocar ponto final nisso tudo. Não acham? Então vamos lá: ponto final.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Vazia.

                                            Vazia. A minha mente está vazia.Vazia.Vazia.Tanta coisa as quais posso escrever e nada me vem à ...