Estendido
estava e estendido ainda ficaria no chão da sala, em cima do tapete cinza e
branco como se fosse deixado no esquecimento de si mesmo, a principio sentiu-se
incomodado, pois era uma atitude esquisita quando propuseram e achou absurdo e
quando descrevera como seria achou ridículo se imaginando na posição descrita,
mas agora ali, estendido no tapete cinza e branco, com os braços abertos,
pernas esticadas, até caiu numa pequena sonolência e se entregou a ela e por
ela se deixou levar numa sonoridade pacifica dentro de uma cremosidade latente
levando-o a percorrer distancias inimagináveis, se soltou nos fios do tapete se
impregnando das fibras macias, não ouvia mais nada, aos poucos o coração cessou
e saindo da posição, viu a si mesmo esticado no chão trazendo no semblante a
frieza e a palidez de corpo sem vida, não se desesperou, sorriu, lançou um
adeus em forma de beijo e despareceu nos signos do dia ensolarado, livre,
estava livre...
É
isso... ou, não é?
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