...
mais uma noite eu e meu pequeno caderno de capa dura azul aqui estamos nessa
madrugada de insônia, e, me pergunto a mim mesmo e a ele, o caderno, o que devo
escrever, o que devo dizer se não sei o que dizer quando o tudo que tenho a
dizer torna-se complicado dizer, é uma merda de uma porrada insensivelmente
intelectual e literariamente falando, isto porque, não sei o motivo, mas quando
chega lá pelas vinte e duas horas começo a ficar irritado comigo mesmo, uma das
pernas torna-se incomoda e para aliviar esse incomodo fico movendo-a de um lado
para o outro, ou estico bem os músculos aponto da pele doer, ou então
levanto-me e passo a andar de um canto a outro da sala, ou ainda, volto a
sentar-me procurando me concentrar no estava fazendo, desenhando, escrevendo,
as vezes imagino obscenidades me acariciando estupidamente imbecil alimentando
meus instintos pornográficos, e as vezes tomo café com leite gelado acompanhado
de torradas, mas nada faz efeito, até que desisto e vou deitar o que piora as
coisas, pois fico rolando de um lado para o outro sem conseguir pegar no sono,
por fim levanto-me, ligo o notebook e vou ver algo desinteressante... como
hoje, agora, assistindo mais um capítulo
de uma porcaria, quatro ou cinco capítulos seguido e percebo que o incomodo
sumiu – mas a insônia continua – o sono ainda não deu as caras e não sei se continuarei
a escrever essas babaquices ou se desenharei... por fim, estou aqui as quatro
horas e vinte e um minutos do dia vinte e três de dezembro de dois mil e vinte
e um digitando essa porra...
É
isso... ou, não é?
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