Dilatam-se
Dilatam-se as possibilidades e, ele tem dificuldade em ver. Sabia da sua
natureza, do seu ser franzino, de pouca fala, sem discussões, e além do mais, a
propensão ao estado paranoico depressivo. Não sabia dessas peculiaridades, só
foi descobri-las ao participar de uma sessão de terapia em grupo. Mesmo assim,
relutante custou a aceitar. Se alguém pensa que se abalou, estão enganados.
Nada o abalou. Dizia não existir coisa alguma que o abalasse. E não tinha
mesmo.
Vivia no sossego do apartamento economicamente desprovido de luxo, apenas o
necessário. O que preciso é do necessário, o luxo supérfluo é para os vazios de
alma, costumava dizer. Vivia no silencio da música seu único alimento. Estando
no apartamento vinte quatro horas, as vinte quatro horas, ouvia música, não
podia deixar de ouvi-las. Depois de muitas pesquisas, com certo sacrifício,
conseguiu deixar o quarto em escritório, onde estava o aparelho de som, o home
theater e o computador, num aconchegante lugar de lazer. E ali, passava seu
maior tempo, lendo, ouvindo e escrevendo. Uma vez ou outra saia para uma longa
caminhada no voo suave do pensamento, renovando os pulmões e os olhos.
Caminhava despreocupado, onde esvaziava a mente até o ponto alfa do vazio sem
sentido. Sabia onde e quando encontraria o seu destino. Criava-se o destino ou
ele já estaria escrito no incansável? Ou talvez, passara por ele e não o
reconhecerá? Se isso tivesse acontecido não estaria aqui nesse momento
escrevendo. Ainda não se sentia pronto.
Construía na mecânica da vida o alicerce para outras vidas.
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