domingo, 5 de dezembro de 2021

Diário de um sentir – Caderno número 8.756(2021)

                

             O que poderia escrever a zero hora e quinze minutos da madrugada? Deixou que os dedos longos e grossos empunhando a esferográfica preta imprimisse palavras sorrateiras nada inteligentes sobre si mesmo, principalmente seus sentimentos. E onde estavam esses sentimentos? Escondidos no subsolo do inconsciente emoldurado por uma moldura branca da timidez. As palavras surgiam velozmente por sobre as linhas brancas do pequeno caderno de capa dura azul. Não era diário. Não era confidência e muito menos segredos. São apenas caracteres simbólicos em forma de palavras que não saem do mesmo lugar, ficam repetindo sempre as mesmas coisas, dando voltas em algo de difícil de compreender, até ele mesmo não compreendia. No entanto continuava escrevendo, procurava forma de se expressar sem complicações e não conseguia. O que precisaria para mudar? Ler? Olhou para a pilha de livros amontoados no chão da sala... já leu todos... tinha a pretensão de reler todos, era o que estava fazendo... reler as palavras já escritas para aprender a escrever as palavras que lhe faltam... bom, decidiu, melhor dormir... Melhor dormir, repetiu, apagou a luz da sala, da cozinha e se jogou na cama desejando que o sono o levasse logo. Merda!

            É isso... ou, não é?

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