segunda-feira, 6 de dezembro de 2021

Pequenas histórias 345

Para a Regina


            Para a Regina, a formiguinha atômica.


O dia tinha chegado. Nunca lhe passou pela cabeça a proximidade ou mesmo que chegasse esse dia. Afinal estivera tantos anos na ativa correndo de um lado para o outro, questionando dúvidas as mais elementares, rompendo estruturas as quais não tinha noção de existirem, solucionando problemas os mais corriqueiros, atendendo pedidos os mais diversos fossem eles de sua competência ou não, estava sempre pronta em ajudar, a cooperar, como se dizia: não havia tempo quente.

Quem via a pequena figura entre as mesas, atendendo telefonemas, conversando com um, rindo com outro, sem aparentar acabrunhamento, insatisfação, cansaço não poderia imaginar que chegasse o dia de sua despedida. Não havia tempo ruim, com chuva, com sol, frio ou calor, a vivacidade era a mesma. Pequena, com menos de um metro e cinquenta, parecia ter mais de dois metros de carinho e atenção que despertava aos outros.
E todos no prédio inteiro tinham conhecimento e, o mais essencial, amizade com ela. No aniversário era a pessoa que mais ganhava presentes. Podia-se dizer que chovia presentes. O mais engraçado é que ninguém transmitia sensação de inveja ou ciúmes. Não existia tal sentimento em relação a ela e aos que dela se aproximavam. Na psicologia social e na psicologia trabalhista não tinha uma explicação para o fato. Todos, sem pronunciar abertamente, diziam que não havia e nem haverá outra pessoa como ela.

Portanto foi mais que justificativo à pequena comemoração feita a ela nesse dia. Um dia que ficará marcado em sua vida, na nossa vida e, por que não na vida da firma.

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