Para a Regina
Para a Regina, a formiguinha atômica.
O dia tinha chegado. Nunca lhe passou pela cabeça a proximidade ou mesmo que
chegasse esse dia. Afinal estivera tantos anos na ativa correndo de um lado
para o outro, questionando dúvidas as mais elementares, rompendo estruturas as
quais não tinha noção de existirem, solucionando problemas os mais
corriqueiros, atendendo pedidos os mais diversos fossem eles de sua competência
ou não, estava sempre pronta em ajudar, a cooperar, como se dizia: não havia
tempo quente.
Quem via a pequena figura entre as mesas, atendendo
telefonemas, conversando com um, rindo com outro, sem aparentar acabrunhamento,
insatisfação, cansaço não poderia imaginar que chegasse o dia de sua despedida.
Não havia tempo ruim, com chuva, com sol, frio ou calor, a vivacidade era a
mesma. Pequena, com menos de um metro e cinquenta, parecia ter mais de dois
metros de carinho e atenção que despertava aos outros.
E todos no prédio inteiro tinham conhecimento e, o mais essencial, amizade com
ela. No aniversário era a pessoa que mais ganhava presentes. Podia-se dizer que
chovia presentes. O mais engraçado é que ninguém transmitia sensação de inveja
ou ciúmes. Não existia tal sentimento em relação a ela e aos que dela se
aproximavam. Na psicologia social e na psicologia trabalhista não tinha uma explicação
para o fato. Todos, sem pronunciar abertamente, diziam que não havia e nem
haverá outra pessoa como ela.
Portanto foi mais que justificativo à pequena comemoração feita a ela nesse dia. Um dia que ficará marcado em sua vida, na nossa vida e, por que não na vida da firma.
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