terça-feira, 7 de dezembro de 2021

Diário de um sentir – Caderno número 8.757(2021)

                 

             Mais uma noite a procura de palavras. Vai achá-las? Claro. Já está achando as malditas palavras, apenas não são as que você procura, aquelas que você quer, pois essas são difíceis de serem pronunciadas quanto mais escritas. Elas estão na sua mente a espera. No acostamento sombrio do seu subconsciente, sim, elas estão totalmente a espera. É só você pinçar uma por uma como se pinça algo inalcançável de se pegar. E, no entanto, você fica brincando com as meras palavras que nada lhe dizem, não é, palavras banais, fúteis, sem significação para quem for lê, se é que alguém vá ler essa porcaria de amontoados de caracteres evasivos impressos neste caderno de capa dura azul por sua mão nervosa com pitadas de raiva. Raiva sim, porque não é isso que você quer, você quer escrever outra coisa e não essas merdas que está escrevendo e, que por sinal, você descontroladamente as escreve sem pensar, não é, pois sim, continue dessa maneira que poderá encontrar a solução para o que você deseja, mas lhe digo uma coisa, vá dormir que por hoje chega de babaquice, ou tome um bom trago de uísque antes de cair na cama que está a espera desse corpo enfadonho de tédio. E foi o que ele fez, apagou a luz da sala, na cozinha encheu o copo de uísque, acendeu um cigarro e se sentou na cadeira de balança olhando pensativo para a rua silenciosa corroendo-o de angústia vitimista.

            É isso... ou, não é?

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