Mais uma noite a procura de palavras. Vai
achá-las? Claro. Já está achando as malditas palavras, apenas não são as que
você procura, aquelas que você quer, pois essas são difíceis de serem
pronunciadas quanto mais escritas. Elas estão na sua mente a espera. No
acostamento sombrio do seu subconsciente, sim, elas estão totalmente a espera.
É só você pinçar uma por uma como se pinça algo inalcançável de se pegar. E, no
entanto, você fica brincando com as meras palavras que nada lhe dizem, não é,
palavras banais, fúteis, sem significação para quem for lê, se é que alguém vá
ler essa porcaria de amontoados de caracteres evasivos impressos neste caderno
de capa dura azul por sua mão nervosa com pitadas de raiva. Raiva sim, porque
não é isso que você quer, você quer escrever outra coisa e não essas merdas que
está escrevendo e, que por sinal, você descontroladamente as escreve sem
pensar, não é, pois sim, continue dessa maneira que poderá encontrar a solução
para o que você deseja, mas lhe digo uma coisa, vá dormir que por hoje chega de
babaquice, ou tome um bom trago de uísque antes de cair na cama que está a
espera desse corpo enfadonho de tédio. E foi o que ele fez, apagou a luz da
sala, na cozinha encheu o copo de uísque, acendeu um cigarro e se sentou na
cadeira de balança olhando pensativo para a rua silenciosa corroendo-o de
angústia vitimista.
É
isso... ou, não é?
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