O som da voz
O som da voz tocou a pele. Sua vibração percorreu todo o corpo. Foi ao encontro
dos cantos e recantos, lambendo torso, quadril e membros numa lentidão sôfrega
e amena ao mesmo tempo. Deixou-se tocar, deixou-se levar na harmonia do som.
Expôs-se violentamente a todos os requintes. Pouco se importava se o ridículo
dos movimentos seria exposto. Aliás, não tinha que se importar, pois estava ali
para isso. Criar o ridículo do prazer sem limite.
Num regozijo a voz soou dentro da carne. Escutou a entonação percorrendo a
parede interna. Escutou e, porejando suor, colocou-se ao comando dispondo toda
a energia no ato. Assim foi por mais de horas num convívio de receber e
oferecer.
O sol despontou nos corpos adormecidos no
prazer de sentir um ao outro.
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